Aveia-das-fadas (Avena spp.)

Aveia das fadas

Espécie: x Avena sterilis L. Divisão: Magnoliphytas Classe: Liliopsidas Ordem: Poales Família: Poaceae (gramíneas) Sinonímia: Avena ludoviciana Durieu Avena macrocarpa Moench Avena sterilis L. raça ludoviciana (Durieu) Samp. Avena sterilis L. var. ludoviciana (Durieu) Nyman Nomes comuns: Aveia-selvagem, aveia-das-fadas, aveia-dos-campos, balanco-bravo, aveião, aveão. English names: Oat, fairy-oat, wild-oat.

Tão antiga como o trigo, a aveia era o principal alimento das tribos germânicas e gaulesas na Antiguidade.

Identificação: Gramínea erecta, de colmo fino e de espiguetas pêndulas, dispostas em cacho (panícula muito aberta), cada uma com duas a cinco flores hermafroditas, mais comummente três, das quais a superior é estéril. A sua cariopse é arredondada, com uma estria numa das faces e geralmente vilosa na parte distal. A lema apresenta-se bidentada, algo que só é visível com o auxílio de uma lupa. Detém aristas longas e geniculadas, de inserção dorsal. Dependendo da espécie, pode apresentar glumelas francamente pubescentes (Avena barbata e sterilis) ou quase glabras (A. fatua).

Na Península de Lisboa predomina a A. barbata, embora a A. sterilis se encontre igualmente presente. Não foi detectada a espécie A. fatua, sendo esta mais comum na região Sintra-Mafra.

Tipo fisionómico: Terófito.

Distribuição: As espécie A. barbata e A. sterilis são comuns no sul da Europa. As A. fatua e A. sativa encontram-se por toda a Europa, sendo que a sativa é actualmente cultivada em larga escala nos EUA e noutras regiões do globo.

Habitat: As espécies silvestres encontram-se com frequência nos campos abertos, nas margens dos caminhos, nas terras cultivadas, junto a zonas ripícolas ou matagais xerófilos. Bem adaptadas a qualquer tipo de solo.

Floração: Maio-Julho.

Princípios activos: Proteínas, sílica, magnésio, ferro, cálcio, flavonóides e alguns alcalóides, amido (glúcido), hemicelulose e vitaminas A e B.

Propriedades: Forrageira e nutritiva, emoliente, calmante, anti-inflamatória, anti-hemorroidal, diurética, cicatrizante e tónica. Previne a cárie dentária e pode ser usada como anti-tússica. Reduz os níveis de colesterol e de açúcar no sangue.

Partes usadas: Toda a planta.

Usos: Forragem (espécies silvestres) e alimentação humana (Avena sativa L.). Em medicina ayurvédica a espécie A. sativa é prescrita como desintoxicante do ópio. Muito usada como emoliente em eczemas, zona e pele seca. Internamente está indicada em casos de obstipação, depressão, problemas neurológicos, esclerose múltipla e outras doenças degenerativas, e como redutora do colesterol. Pode ser aplicada sob a forma de tinturas, cremes, cataplasmas ou ingerida em tisanas e papas ou ainda adicionada a sopas como substituto da batata.

Curiosidades: Ao contrário das demais gramíneas usadas na nossa alimentação, a aveia não possui aurículas. As suas folhas detêm ainda uma outra particularidade, enrolam em sentido anorário [Carlos Aguiar, 2010].

As diferenças entre as espécies A. sterilis e A. barbata são mínimas. Porém, quando postas lado a lado, verificamos que a A. sterilis apresenta espiguetas um pouco maiores, podendo estas conter entre 3 a 5 flores – enquanto a A. barbata tem no máximo 3 – e folhas, bem como as lígulas, um pouco mais amplas. Como muitos aspectos podem coincidir, há pelo menos um que nos auxilia na distinção: o tamanho da arístula bífida (prolongamento) da lema, que na espécie A. barbata pode chegar aos 6mm, mas que na A. sterilis não ultrapassa os 2mm. A A. sativa derivou das espécies silvestres por selecção artificial, enquanto a A. sterilis é uma notho-espécie da A. fatua.

As origens da espécie A. sativa, hoje largamente cultivada, são incertas, porém crê-se ter sido desenvolvida no Oriente (China e Índia) e no Médio Oriente (Egipto). Na Antiguidade clássica, já os Gregos a utilizavam com fins quase estritamente medicinais. À Península Itálica chegou pelas mãos dos legionários de César, vinda da Gália e da Alemanha, conforme o testemunha Tácito. Ao consumo deste cereal era atribuída a peculiar longevidade da qual gozavam muitos indivíduos das tribos germânicas e gaulesas.

O escritor inglês Samuel Johnson (século XVIII) refere a aveia como o “sustento dos escoceses”, enquanto em Inglaterra era vista como um cereal menor.

A aveia faz parte da lista de alimentos que equilibram as ondas cerebrais (estímulo do hemisfério direito – ondas alpha e theta), contribuindo para a boa disposição.

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