Sorgo (Sorghum alepense L.)

flora silvestre portuguesa

Espécie: Sorghum halepense (L.) Pers.
Divisão: Magnoliphytas
Classe: Liliopsidas
Ordem: Poales
Família: Poáceas (gramíneas)
Sinonímia: Sorghum vulgare L.
Nomes comuns: Sorgo-de-alepo, sorgo, erva-de-são-joão.
English name: Johnsongrass.

Armadas com varas de sorgo, na Noite inquisitorial, as bruxas malignas lutavam contra os espíritos benandantes pela posse das colheitas.

Identificação: Gramínea perene, de altura compreendida entre os 50cm e os 2 metros, glabra. Folhas de aproximadamente 2cm de largura, compridas e lanceoladas, de lígula membranosa. A nervura central das folhas é larga e branca, o que a faz destacar-se ao olhar. Apresenta uma Inflorescência em panícula aberta de tom avermelhado. Espiguilhas agrupadas em pares ou trios, de uma flor cada e lemas aristadas.

Tipo fisionómico: Geófito.

Distribuição: Europa e Médio Oriente.

Habitat: Ruderais, campos incultos e orlas de campos cultivados, margens de caminhos, ruínas, orlas de bosques.

Floração: Julho-Outubro.flora silvestre portuguesa

Princípios activos: Toda a planta é tóxica com excepção da panícula. Proteínas, glícidos, fibra. As folhas quando expostas a períodos de seca desenvolvem ácido prússico (ácido cianídrico) que pode tornar-se tóxico para o gado, embora seja normalmente usada como forragem. Contém ainda glicósidos cianogénicos, sorgoliona e di-hidrosorgoliona.

Propriedades: Forrageira e nutritiva.

Partes usadas: Parte aérea.

Usos: Forragem.

Curiosidade: Em 1575, Paolo Gasparutto, um camponês italiano acusado de praticar bruxaria, assumiu-se perante o tribunal do Santo Ofício não como bruxo mas, antes, como um benandante, um espírito que em certas noites deixava o corpo para acompanhar espíritos mais evoluídos na luta contra a feitiçaria e o poder demoníaco. Estes combates destinavam-se a proteger as colheitas e a assegurar a fertilidade dos campos. De acordo com o discurso de Gasparutto, os benandantes lutavam uma vez por ano pelo trigo e demais gramíneas, outra pelo gado e outra pela vinha e todos os frutos da terra. Sempre que ganhavam a batalha, havia abundância de colheitas. Na luta, as bruxas e os espíritos inferiores apresentavam-se armados com colmos de sorgo, enquanto os benandantes levavam consigo hastes de funcho.

Os benandantes tornaram-se quase numa corrente espiritualista formada por membros que raramente tinham acesso às histórias uns dos outros. O fenómeno durou pelo menos cem anos, tempo durante o qual a Inquisição os condenou não por bruxaria mas por considerá-los fantasiosos e rufiões. Os benandantes acreditavam que se expusessem publicamente os seus trabalhos nocturnos com outros espíritos, seriam identificados pelos praticantes de artes malignas e açoitados com varas de sorgo. Algo muito semelhante envolvendo o sorgo, referiu Ana la Rossa (século XVI), uma mulher que dizia falar com os espíritos dos mortos e levar mensagens aos vivos.

O simbolismo do sorgo, entretanto, perdeu-se na História, porém o seu carácter mágico é inegável, como o comprovam os relatos renascentistas.

Do ponto de vista alelopático, as espécies do género Sorghum interferem no ambiente de outras plantas, uma vez que sintetizam sorgoliona benzoquinona, o que as torna muito competitivas e capazes de inibir o crescimento das espécies com as quais competem. Um estudo realizado em 2010 numa estufa de Timisoara do departamento de química e bioquímica da Universidade de Ciências Agrícolas e Medicina Veterinária de Banat, veio demonstrar que a presença de Datura stramonium pode contribuir para o controlo do Sorghum nos casos em que esta gramínea se torna prejudicial à agricultura. Pela grande capacidade alelopática do sorgo, o seu desenvolvimento é inibido pela presença de atropina no solo, alcalóide procedente da D. stramonium.

Um parente, o S. bicolor, bem como algumas outras espécies afins, são cultivados nas regiões áridas da Ásia e de África como cereais para produção de bebidas destiladas.

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