Alcachofras (Cynara spp.)

Flora Silvestre Portuguesa

Espécie: Cynara humilis L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Asterales
Família: Asteraceae
Sinonímia: Bourgaea humilis (L.) Coss.
Nomes comuns: Alcachofra, alcachofra-branca, alcachofra-de-são-joão, alcachofra-brava.
English name: Wild artichoke.

Espontânea em toda a Europa, a alcachofra é, além de útil e nutritiva, uma fonte inesgotável de simbolismo. Manda a tradição que se queime a sua flor durante o Solstício de Verão, pois uma vez mergulhada em água fria voltará a florir. Das cinzas às cinzas, a alcachofra manifesta em si o eterno retorno, a negação da morte, a ressurreição.

Sendo um dos temas favoritos dos escultores de lápides funerárias, podemos encontrar inúmeros exemplares impressos em pedra no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, muitas vezes em associação com um outro símbolo, o uroboros, a serpente do devir que enrolada sobre si mesma morde a própria cauda. A Alcachofra espelha no seu brilhante lilás a máxima de que o tempo é curvo; curvas serão as nossas vidas.

Identificação: Planta herbácea, vivaz, que pode atingir cerca de 1 metro de altura. Folhas grandes, por vezes muito divididas, alongadas, verdes na página superior e esbranquiçadas na inferior. Distingue-se principalmente pela flor, lilás ou roxa, solitária, carnuda e de grande dimensão, cujo invólucro é composto por brácteas suculentas. Para além da espécie C. humilis, foi identificada uma outra, a muito cultivada C. scolymus, também designada por «alcachofra-hortense», de maiores dimensões, quer das folhas quer dos capítulos, sendo que as suas folhas são profundamente bisserradas.

Flora Silvestre Portuguesa

Nome latino: Cynara scolymus L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Asterales
Família: Asteraceae
Sinonímia: Cynara cardunculus var. scolymus (L.) Fioril.
Nomes comuns: Alcachofra-hortense
English name: Artichoke.

Tipo Fisionómico: Hemicriptófito.

Distribuição: Toda a Europa, com principal incidência na costa da Grã-Bretanha e na orla mediterrânica.

Habitat: Ruderais, ruínas, orlas florestais. Locais soalheiros.

Floração: Maio/Junho.

Princípios activos: Cinarina, mucilagem, pectina, enzimas, ácidos orgânicos, ácido cafeico e ácido clorogénico. Rica em vitaminas (A, B1, C) e sais minerais (potássio, sódio, zinco, magnésio, ferro e manganês). Contém apenas 15% de açúcar e 3% de albumina.

Propriedades: Diurética, purificante hepática, tintureira, digestiva, desintoxicante, colagoga, hipotensora, laxante, colerética, febrífuga, anti-ureica, anti-colesterol, anti-esclerótica, coalheira, anti-reumatismal, hipoglicemiante.

Partes usadas: Folhas e capítulos.

Usos: Muito apreciada como acepipe (as brácteas são normalmente servidas cruas, temperadas com sal e limão). Medicinalmente, a tisana obtida pelo cozimento das suas folhas é empregue como diurético, no tratamento de doenças do fígado (30g/litro de água, 3 chávenas/dia) e em dietas de emagrecimento.

A infusão das folhas e capítulos utiliza-se genericamente em casos de anemia, hepatite, diabetes, eczema, doenças cardíacas, malária, escrofulose, doenças do foro renal, urticária, obesidade, hipertensão, sífilis, reumatismo, hemofilia e gota.

Curiosidades: Em tinturaria, das folhas da alcachofra obtém-se um corante dourado. Também é usada como coalho no fabrico de queijo. Todos os cardos são por norma comestíveis e muito ricos em sais minerais e vitaminas, mesmo aqueles cujos espinhos são difíceis de retirar. O seu cozimento numa grande quantidade de água deve ser evitado, já que nela ficam os seus valiosos nutrientes.

Pelo Santo António, é costume em Portugal chamuscarem-se as alcachofras nas fogueiras, deixando-as em água fria durante a noite. Na manhã seguinte a alcachofra, à semelhança de uma Fénix, renascerá das próprias cinzas e voltará a florir, concedendo-nos um desejo pedido à meia-noite. Uma outra tradição popular, manda colocar a alcachofra ardida num vaso com terra, se no dia seguinte estiver novamente florida é sinal de casamento.

A alcachofra hoje comercializada resulta de uma manipulação de espécies feita através de selecção artificial por agricultores sul-europeus ao longo dos séculos. No século XV, a alcachofra era já cultivada na Sicília. Em França, segundo a tradição, foi introduzida por Catarina de Médici.

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