Picão-preto ( Bidens pilosa L.)

Flora silvestre portuguesa

Espécie: Bidens pilosa L.
Divisão: Magnoliphytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Asterales
Família: Asteráceas (compotas)
Sinonímia: Bidens hirsuta (L.) Nutt.; Bidens leucantha (L.) Willd.
Nomes vernáculos: Picão, picão-preto, carrapicho-de-agulha, piolho-de-padre, macela-do-campo, picacho, amor-seco, amor-de-burro.
English names: Beggar ticks, black jack, spanish needles.

O aspecto estranho que esta herbácea assume no final da floração, quando os seus aquénios negros e hirsutos substituem os simpáticos capítulos amarelos, não deixa adivinhar a autêntica panaceia que alberga no seu cocktail de substâncias activas.  

Identificação: Herbácea bienal, de crescimento erecto e ramificado desde a base. As suas folhas são tripartidas, por vezes divididas em cinco lóbulos, de segmentos elípticos a lanceolados e de margem serrada. Toda a planta é glabra. Os capítulos cimeiros são de reduzidas dimensões, amarelo-torrados e pétalas brancas que raramente perduram. O fruto é uma cipsela longa e escura, que lembra uma agulha, algo que lhe valeu o nome de carrapicho-de-agulha, aristulada da zona apicial que melhor se fixa ao pêlo dos animais (dispersão epizoocórica) e de secção tetragonal.

Tipo fisionómico: Terófito.

Distribuição: Espécie subcosmopolita com origem na África subsahariana.

Habitat: Rudeais, margens de caminhos, calçadas, campos incultos ou cultivados, ruínas, margens ripícolas.

Floração: Primavera-Outono.

Princípios activos: Ácido p-cumárico, fósforo, ácido salicílico, ácido tânico, beta-amirina, ácidos linólico e linoléico, acetilenos, esculetina, cálcio, flavonóides e bioflavonóides, hidrocarbonetos, limoneno e pineno, quercetina, timol, taninos, triterpenos, poliacetilenos, xantofilina e ethyl caffeate (um ácido hidroxicinamico), entre outros.

Propriedades: Adstringente, antiartrítica, antibiótica, antidiarreica, anti-hemorroidal, antipirética, antiespasmódica, carminativa, antiblenorrágica, anti leucorreica, antiescorbútica, anti-inflamatória, antibacteriana, anti-edémica, galactagoga, hemostática, vermífuga, hepatoprotectora, anti-séptica, emenagoga, hipotensiva, odontálgica, sedativa, sialagoga, anti-reumática, venotónica, depurativa, anti-malária, anti-emética, entre outras.

Partes usadas: De um modo geral utilizam-se os capítulos e as folhas em infusão. As flores são particularmente antidiarreicas. A raiz é odontálgica.

Usos: Sob a forma de infusão é usada nos mais variados casos. Cólicas, tanto em adultos como em crianças, distúrbios renais e hepáticos, desinteria, tumores, úlceras, problemas de pele, pancreatite, infecções, febre, gripes e constipações, flatulência, fadiga, hemorragia pós-parto e como estimulante do leite materno, cancros, malária, nevralgias, insónia e envenenamento. Em compressas é usada igualmente em casos de problemas dentários e oftalmológicos. Sob a forma de pomada é usada em acne e infecções fúngicas de todo o género. Em tintura é aplicada na cicatrização de feridas.

Curiosidades: A riqueza desta asterácea, pela qual passamos sem quase nos apercebermos,  é de uma tão grande dimensão que se torna impossível uma descrição completa nesta monografia. O picão, ao qual a medicina chinesa chama de “咸豐草” (xian feng cao), apresenta um total de 198 substâncias activas, todas elas úteis no tratamento das mais variadas doenças, desde as resultantes de maus hábitos alimentares até aos envenenamentos, passando pelas doenças infecciosas e tumorais.

Em alguns países da África subsaariana, onde é endémica, as populações utilizam-na como aromatizante de licores e como vegetal em épocas de escassez, isto porque a generosidade desta herbácea fá-la crescer nos locais mais inóspitos e a torna resistente a períodos de seca.

A sua toma não regista quaisquer efeitos secundários nocivos.

Por estar associado ao pulgão que afecta diversas culturas agrícolas, em muitos lugares do mundo, o picão é considerado infestante, desvalorizado e exterminado, em vez de aproveitado o seu imenso valor.

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