Alexandres (Smyrnum Olusatrum L.)

flora silvestre portuguesa

Espécie: Smyrnum Olusatrum L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Apiales
Família: Apiáceas (umbelíferas)
Sinonímia: Não encontrada.
Nome comum: Alexandres, cegude, salsa-de-burro, aipo-de-burro.
English name: Alexanders.

À sombra dos pinheiros-de-alepo, nos bosques que crescem perto do mar, uma vegetação perfumada adensa-se na semi-obscuridade. No ar pairam fragrâncias melosas que facilmente confundimos com o aroma dos crisântemos e das camomilas. São os alexandres, doces e calmos, que abrem as suas umbelas aos parcos raios de luz que as ramagens deixam escapar.

Identificação: Umbelífera bienal que atinge aproximadamente um metro e meio de altura. Apresenta folhas pinatissectas, com segmentos ovado-romboides, muito recortadas com segmentos dentados que culminam num segmento mais largo e de maior dimensão. As flores esverdeadas, pentâmeras e actinomórficas, organizam-se em umbelas de 7-12 raios. O seu aroma é agradável.

Tipo Fisionómico: Terófito.

Distribuição: Nativa do Mediterrâneo, encontra-se igualmente na Irlanda.

Habitat:  Frequenta as matas, os ruderais, as valas e margens de caminhos e de rios.

Floração: Março/Junho.

Princípios activos: Isofuranodiene e muito rica em vitamina C. As sementes apresentam um óleo essencial rico em cuminol, que lhe dá um característico aroma a cominhos.

Propriedades: Digestiva, diurética, antiescorbútica, aperitiva, emenagoga, anti-espasmódica, anti-depressiva, comestível. Os frutos são carminativos e estomáquicos.

Partes usadas: Raiz, folhas e flores frescas e sementes (pseudo-frutos).

Usos: Vegetal caído em esquecimento, as suas folhas cruas ou cozidas e a sua raiz, cozida ou ralada, eram usadas em saladas e guisados.

Curiosidades: O consumo desta planta foi popular no tempo de Alexandre Magno e, sendo endémica no Médio Oriente, Grécia e Macedónia, é provável que o seu mais famoso nome comum «alexandres» resulte desta tradição entretanto esquecida.

Os Gregos chamaram-lhes hipposelinon, «salsa-de-cavalo». Os povos islâmicos da época califal ibérica designavam-nos por karats barri, «aipo».

Theophrastus (sec. IV a.C.) e Dioscórides (I d.C.) referem-nos como erva comestível. Dioscórides, em particular, fala sobre as propriedades das sementes como emenagogas e aconselhava macerá-las em vinho para este efeito.

As folhas possuem um aroma muito semelhante ao da mirra, daí o seu nome «Smyrnum». Columela (I d.C.) apelidou-os de «mirra dos Aqueus», que os usavam em rituais fúnebres, e deles deixou-nos  uma interessante receita que inclui passas, cebola, trigo torrado, hortelã e mel. O adjectivo «olusatrum» exprime o valor gastronómico desta umbelífera como «vegetal escuro».

Durante toda a Idade Média e sobretudo no Império Carolíngio, os alexandres surgem como um cultivar gastronomicamente muito atractivo.

O cuminol presente nas suas sementes tem interesse para a indústria perfumeira.

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