Agave (Agave americana L. var. marginata)

flora silvestre portuguesa

Espécie: Agave americana L. Var. marginata
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Liliopsidas
Ordem: Asparagales
Família: Agavaceae
Sinonímia: Existem diversas variedades desta planta.
Nomes comuns: Agave, aloé-dos-cem-anos, cacto-dos-cem-anos, Piteira, Piteira-brava, Piteira-de-boi
English name: Agave.

Exotismo inclinado sobre o mar, corre-lhe nas veias o doce sangue da deusa.

Identificação: Quase dispensa apresentações, esta suculenta que se empoleira no alto das arribas da Costa do Sol. De dimensões variáveis, podendo a sua roseta de folhas basais atingir mais de  metro e meio de altura e 4m de diâmetro, é a sua inflorescênica que a evidencia, um espigão com panícula terminal ramificada que chega a atingir perto de 8m de altura, causando a impressão de se tratar de uma árvore. As suas folhas são longas e lanceoladas, com margens dentadas e aculeadas. Na variedade marginata, possuem margens mais claras (amarelas). As flores são amarelo-esverdeadas. Pode viver mais de 20 anos.

Tipo fisionómico: Microfanerófito.

Distribuição: Nativa do México, encontra-se ao longo da costa ocidental europeia, Mediterrâneo e América do Norte.

Habitat: Zonas costeiras e como ornamental em jardins. Tolerante ao ar salino e a solos básicos.

Floração: O agave floresce apenas antes de morrer.

Princípios activos: Hecogenina (saponina), isoflavonóides, citotoxina, provitamina A, vitaminas B, C, D e K, sais minerais.

Propriedades: Anti-sifilítica, anti-séptica, anti-escurbútica, anti-anémica, depurativa, diurética, hepática, laxante, expectorante, venotónica, cardiotónica, hemostática e antibiótica (staphylococcus spp., pseudomonas aeruginosa e escherichia coli).

Partes usadas: Seiva, raízes e principalmente as folhas (infusão)

Usos: Outrora usada contra a sífilis, a lepra e o escurbuto, é ainda hoje aplicada em casos de hemorragias internas e externas, tosse, problemas oftalmológicos e dermatológicos, anemia e icterícia. O suco é muito eficaz no tratamento de feridas e reumático (cataplasma). Também usada em elixires contra a queda de cabelo. Estudos mais recentes descobriram-lhe propriedades anti-cancerígenas, sobretudo no que respeita a leucemias e cancro da mama.

Curiosidades: Embora muitos o conheçam como aloé-dos-cem-anos, não se trata de nenhuma espécie do género aloé, nem vive cem anos, no máximo trinta.

Ao florir, o agave começa a morrer, dele restando apenas rebentos jovens que dão continuidade à vida da planta. Devido à sua constituição resistente e fibrosa, a inflorescência pode subsistir ainda por alguns anos, dando a impressão de se tratar de uma planta viva, quando na verdade é uma beleza já morta.

Os antigos povos ameríndios, como os Maias e os Aztecas, serviam-se de algumas espécies de agave na confecção de vestuário, artes de pesca e na construção de telhados. Os acúleos terminais das folhas quando destacados trazem consigo uma fibra que pode ser tingida com o suco das flores da mesma planta ou de outras, obtendo-se assim agulha e linha numa só peça.

A seiva do agave é empregue no fabrico da tão famosa tequilla, uma variedade de mezcal. Com mais de mil anos, as origens desta bebida alcoólica são atribuídas à deusa Mayahuel. No agave corre o sangue desta divindade, a água-mel que Pantecatl descobriu como transformar em pulque (variante da tequilla).

Um outro mito fala-nos do deus Tlacuache que ao descobrir a seiva fermentada do agave se tornou no primeiro bêbado de que há memória. Sendo a entidade responsável pelo curso dos rios, quando embriagado criava rios ziguezagueantes!

Mas no que toca a mitos, o agave é prodigioso. Uma lenda coloca a descoberta do pulque na época tolteca, quando um nobre, Papantzin, ao pretender casar a filha, Xochitl, com o imperador, tê-la-á enviado ao palácio com a oferta de um jarro de mel de agave. Xochitl e o imperador casaram e chamaram ao seu filho Meconetzin, “filho do agave”.

Nas civilizações ameríndias pré-colombianas, os caminhos do agave sempre se cruzaram com os da religião, os da mitologia e os da guerra. O  pulque era usado na celebração de vitórias bélicas e cerimónias religiosas. O seu alto valor nutritivo, já conhecido daqueles povos, levava a que o pulque fosse dado a idosos e mulheres grávidas, os únicos de entre a população civil autorizados a bebê-lo durante os rituais.

Do Agave sisalana extrai-se o sisal usado em cordoaria.

No Concelho de Cascais existem diversas espécies do género Agave, a maioria cultivada em jardins privados, como é o caso da agave-dragão (Agave attenuata). Nas arribas, as mais comuns são a Agave americana L. e a variedade marginata.

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