Asclépia (Asclepias fruticosa L.)

flora silvestre portuguesa

Espécie: Asclepias fruticosa L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Gentianales
Família: Apocynaceae
Sinonímia: Gomphocarpus fruticosus (L.) W. T. Ainton.
Nomes vulgares: Asclépia, falso-algodão.
English name: Milkweed, false-cotton, swan plant, ballon plant.

Muito para além da perigosidade do seu látex e das precauções a que a Ciência exorta, esta apocinácea tóxica é amplamente empregue pela medicina tradicional sul-africana, ou não tivesse ela recebido o nome do deus da cura.

Identificação: Micro-arbusto de folha caduca, de crescimento erecto até cerca de 2.5 metros de altura, glabro ou vagamente viloso. Apresenta folhas opostas, erectas, inteiras, lanceoladas/lineares, de veio central verde-claro e bem demarcado. Distingue-se pelas suas inflorescências, entre o verde-amarelado e um tom de pérola, dispostas em cimeiras de seis a dez flores. As flores pendem de pedicelos de cerca de 2 cm de comprimento, ostentam cinco sépalas abertas e unidas na base e pétalas formando tubos. O fruto é um folículo de aproximadamente 5 cm de comprimento, de ápice acuminado ou alongado, carregado de inúmeras sementes negras providas de pêlos longos para dispersão anemocórica (por acção do vento), facto que lhe valeu a alcunha de «falso algodão».

Tipo Fisionómico: Nano/Microfanerófito.

Distribuição: Originária da África do Sul, encontra-se sub-espontaneamente na bacia do Mediterrâneo e oeste europeu.

Habitat: Matagais e ruderais. Prefere locais de sombra parcial.

Floração: Verão.

Princípios activos: Monossacarídeos raros (digitoxose, oleandrose, deoxialose, cimarose e olivose), ácidos sinápico e cafeico, flavonóides (rutina), canferol, quercitina e aminoácidos. Contém elevada percentagem de cardenólidos (glicósidos cardíacos).

Propriedades: Tóxica, cardiotónica, hipotensiva, anti-viral e abortiva.

Partes usadas: Folhas.

Usos: Em países sul-africanos, entre eles a Namíbia, a Swazilândia, o Lesoto, a África do Sul e o Botswana, as folhas secas são infundidas para tratamento de problemas intestinais. Reduzidas a pó, são inaladas para tratamento da tuberculose e curar cefaleias, embora o seu valor como sedativo não tenha sido atestado. As suas propriedades anti-virais, por seu lado, foram devidamente comprovadas.

As folhas são igualmente empregues sob a forma de óleo ou decocção em clisteres purgativos. O seu uso como abortivo não está etnograficamente documentado.

A indústria farmacêutica tem utilizado os abundantes glicósidos cardíacos na preparação de medicamentos. Estes glicósidos, presentes no látex, podem provocar cegueira temporária se entrarem em contacto com os olhos. Motivo pelo qual esta planta requer certos cuidados de manuseamento e também de dosagem, uma vez que estes glicósidos podem causar a morte em pessoas e animais.

Apesar de não produzir exactamente algodão, fornece uma fibra usada em tecelagem e no enchimento de almofadas.

Curiosidades: Diversas espécies do género Asclepias podem ser usadas na alimentação quando cozinhadas, entre elas encontram-se a A. viridiflora, a A. syriaca, a A. hallii, a A. incarnata, a A. rubra, a A. speciosa e a A. tuberosa. Esta última, em particular, endémica nos EUA e muito idêntica à espécie aqui monografada, é conhecida por «raiz-da-pleurisia» e desde há muito utilizada pelos índios norte-americanos, não apenas como fonte de alimento mas sobretudo como medicamento e erva ritual. Ao ser descoberta pelos colonos europeus, foi-lhe dado o nome do deus grego da medicina, Asclépio, equivalente do deus romano Esculápio. Com ela, as tribos índias tratam principalmente doenças do foro respiratório, um uso semelhante ao que os povos sul-africanos dão à sua congénere A. fruticosa.

Certas borboletas monarcas depositam os ovos na página inferior das folhas da asclépia para que as larvas se alimentem do seu látex tóxico, que as torna imunes a predadores. Em simbiose, as borboletas encarregam-se da sua polinização. As asclépias são bastante melíferas e também as abelhas contribuem para as polinizar.

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