Vinca (Vinca difformis ssp. difformis Pourr.)

flores silvestres

Espécie: Vinca difformis ssp. difformis Pourr.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Gentianales
Família: Apocynaceae
Sinonímia: Vinca acutiflora Bertol, Vinca media Hoffmann et Link, Vinca minor auct. Lusit. non L.
Nomes vulgares: Pervinca, erva-da inveja, erva-congorça, congossa, alcangosta, alcangorça.
English name: Periwinkle.

Na região de Somerset, Inglaterra, são conhecidas como «violetas feiticeiras», e tidas como arauto da pertença de fadas.

A pervinca afasta a inveja e o mau-olhado, bane os espíritos nefastos, transmuta as energias negativas em positivas, atapeta suavemente as margens dos rios que separam os mundos, dissolve fantasmas, cura as almas perdidas, devolve o viço aos que morrem de amor.

Se julga que conhece bem esta planta que as estrelas regem, então talvez esteja na hora de a ver pela primeira vez…

Identificação: Herbácea perene, de crescimento prostrado e ramificado, forma abundantes tapetes nas margens dos cursos de água, nas bordaduras dos bosques e nos ruderais sombrios e húmidos. Apresenta folhas opostas, ovadas/elípticas, glabras e brilhantes, de margem subserrilhada/lisa, flores axilares e solitárias, não muito grandes, pentâmeras e assalveadas, formando com as suas pétalas irregulares um tubo hexagonal, lilases, azuis ou mais raramente brancas. O fruto é um folículo de duas ou três sementes. As pétalas desta espécie são tendencialmente mais estreitas que as das suas congéneres. Trata-se de um endemismo ibérico.

Tipo Fisionómico: Caméfito.

Distribuição: Europa temperada.

Habitat: Matagais sombrios, ripícola, ruderal.

Floração: Dezembro-Julho.

Princípios activos: Contém cerca de trinta e cinco alcalóides indólicos, entre eles a vincamina (hipotensiva), vincristina, vimblastina, majdina, vindesina, vincina, majordina, aquamigina, reserpina, sarpagina, serpentina, vincamajina, apovincamina, vincadiformina, ácidos ursólico, hidroxibenzóico e caféico , saponinas, canferol e taninos.

Propriedades: Adstringente, anti-espasmódica, detergente, hipotensiva, estomáquica, tónica, estimulante cerebral, sedativa, colagoga, probiótica, febrífuga, bactericida, laxante/purgativa suave, vermífuga e digestiva.

Partes usadas: Raiz, caules, folhas, seiva e flores.

Usos: Toda a planta é sedativa, empregue em casos de dismenorragia, menorragia, metrorragia e dores de cabeça. Como estimulante cerebral e vasodilatadora, é usada no tratamento da aterosclerose e alzheimer, entre outras doenças susceptíveis de causar demência. A tisana feita com as folhas depois de secas, trata hemorragias internas, infecções gastrointestinais e urinárias. A seiva tem propriedades vulnerárias e detergentes, usada na lavagem de feridas e eczemas e no tratamento de vaginites. As folhas quando mascadas saram aftas, amigdalites e gengivites. As flores frescas consumidas em saladas, por exemplo, funcionam como um purgativo ligeiro. A raiz é anti-espasmódica e hipotensiva. Tem sido usada como anti-cancerígena no tratamento de leucemias, sarcomas e linfomas.

Par além de infusões e decocções, da vinca podem fazer-se cremes, óleos (usando a planta seca e um óleo carreador), tinturas, emplastros e vinhos medicinais. Em infusão/decocção deve ser tomada à razão de uma colher de sobremesa por chávena.

Os caules são usados em cestaria.

Não deve ser usada por mulheres durante o aleitamento.

Curiosidades: Ainda pouco estudada, esta planta traz consigo um extenso historial de sucesso em medicina popular, tendo sido amplamente utilizada desde a Antiguidade, sobretudo para secar o leite das mães (decocção das folhas e das flores secas). Sabe-se, no entanto, que actua sobre o sistema nervoso central, pelo qua a sua acção sedativa, vasodilatadora e hipotensiva está claramente comprovada. O risco de confusão com espécies tóxicas não se tem verificado, nem tão-pouco efeitos secundários para além dos previstos através das suas propriedades químicas, desde que não consumida em excesso. A vinca-maior e a vinca-rosa são preferidas para uso homeopático, o que não impede a utilização da espécie aqui monografada, cujos princípios activos são em tudo semelhantes aos das suas congéneres, existindo muitas vezes uma diferença quantitativa e não qualitativa dos mesmos. Apesar de a fanorâmica da pervinca ser extensa, a sua recolecção é muito semelhante à da maioria das outras plantas. As folhas devem ser colhidas na Primavera e postas a secar à sombra; a raiz é colhida no Outono. As flores, como se disse, podem ser usadas frescas e estão disponíveis durante a maior parte do ano.

A espécie análoga, o Catarantus roseo (vinca-rosa), tem sido também usada em homeopatia para tratamento de certos tipos de cancro, nomeadamente da leucemia, e da doença de Hodgkin, devido às percentagens de dois dos seus alcalóides, a vincristina e a vinblastina.

Se atentarmos bem a morfologia das suas flores, verificamos que as pétalas não apenas formam um pentagrama, como na maioria das flores pentâmeras, mas a sua união basal forma um tudo hexagonal perfeito, recriando a ideia de um hexágono inserido numa estrela de cinco pontas, uma das representações do infinito, associada à cor lilás ou azul-purpúreo, que espiritualmente participa das ideias de «passagem» e «transmutação». Posto isto, a somar às suas propriedades medicinais, não é difícil perceber por que gerou tantos mitos supersticiosos ao longo da História.

Também chamada de «erva-da-inveja», é tida como um contra-feitiço natural, que afasta o mau-olhado e que actua como filtro energético. Por outro lado, e porque a sua tonalidade mais comum representa precisamente a ideia extracorpórea da «passagem», é associada à morte e mantida longe dos enfermos e dos recém-nascidos.

Uma superstição invulgar refere que a vinca faz regressar o amor ao casamento se comida pelo casal, misturada com carne de minhoca e erva-dos-telhados (Sempervivum tectorum), também conhecida por «saião-curto» ou «sempre-viva-dos-telhados», uma crassulácea que é habitualmente usada juntamente com vinagre para remoção de verrugas.

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