Mostarda-preta (Brassica nigra (L.) W. D. J. Kosh in Rohl.)

flores silvestres

Espécie: Brassica nigra (L.) W. D. J. Kosh in Rohl.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Capparales
Família: Crucíferas (Brassicáceas)
Sinonímia: Sinapsis nigra L.
Nomes comuns: Mostarda-preta, mostarda-selvagem.
English name: Black mustard.

«O reino dos céus é semelhante ao grão da mostarda que o homem, pegando nele, semeou no seu campo.»

Mateus 13:30  

Identificação: Herbácea anual, de caules glabros ou pontuados por pêlos rígidos e esparsos. Forma tufos altos de folhas basais e produz caules que chegam aos 2.5 de altura. As folhas, basais são lirado-penatissectas, verde-escuras e com nervuras brancas bem demarcadas; as superiores são tendencialmente lineares e bastante mais pequenas. As flores, pequenas, de quatro pétalas amarelas, organizam-se em cachos terminais e compactos. Os frutos são síliquas, indeiscentes e sésseis, que contêm as sementes negras, o grão da mostarda.

Tipo fisionómico: Terófito.

Distribuição: Sul e centro da Europa, Médio Oriente e Ásia meridional.

Habitat: Ruderal, campos de cultivo ou incultos, margens de caminhos.

Floração: Abril-Junho.

Princípios activos: Hidratos de carbono, proteínas, vitaminas A, B1, B2, B3, B6, B9, B12, C, E e K, magnésio, fósforo, ferro, zinco, cálcio, potássio e sódio.

Propriedades: Nutritiva, condimentar, anti-espasmódica, anti-reumatismal, aperitiva, emética, diurética, estimulante, laxante, digestiva, aromática, anti-cancerígena, descongestionante nasal e rubefaciente.

Partes usadas: Folhas, flores e sementes.

Usos: As folhas jovens são cozinháveis e possuem o mesmo paladar das sementes, embora não tão intenso. As flores são um bom aromatizante para saladas. As sementes são rubefacientes, para além de aperitivas, digestivas e condimentares, e podem ser usadas em cataplasmas para amenizar dores de cabeça, ou em banhos para alívio do cansaço dos pés. Externamente, o grão moído e misturado com água e farinha é um excelente cataplasma para dores causadas pelo reumático. Por inalação de vapor, dissolvido em água quente (a menos de 50º), é eficaz no alívio dos sintomas gripais. A decocção do grão é tomada para doenças hepáticas, carcinomas e tumores. O óleo das sementes é aplicado contra a queda de cabelo, para além de ser alimentar e servir para a produção de sabão.

O grão da mostarda é um óptimo aromatizante do chá preto.

Curiosidades: Não sendo com toda a certeza a menor das sementes, o grão da mostarda inspirou, todavia, parábolas e histórias pela sua pequenez face ao tamanho do vegetal que é capaz de gerar. Se tivéssemos tanta fé como a que existe num simples grão de mostarda, moveríamos montanhas, segundo uma parábola de Jesus Cristo (Mateus 17:20).

A mostarda, muito difundida na Europa a partir do século XIII, sobretudo pelos franceses, que há muito a utilizavam na sua gastronomia, era usada na Índia desde há milénios. Na Antiguidade clássica, o seu uso condimentar não está atestado, sendo aplicada a nível estritamente medicinal, em mordeduras de serpente, epilepsia, alopecia, e dores de dentes.

Se para os humanos o aroma desta planta é agradável e aperitivo, o mesmo não se passa em relação a outras espécies, motivo pelo qual é frequente encontrar-se o seu óleo na composição de repelentes para cães e gatos, sob o complexo nome de «allyl isothiocynanate».

Em agricultura, esta espécie silvestre é tida como albergue de algumas doenças que atingem outras da mesma família, como as couves, por exemplo, pelo que estas culturas não devem ser misturadas.

Uma outra variedade silvestre, a B alba deu origem, por selecção artificial, à mostarda branca cultivada industrialmente. Para além das espécies B. nigra e B. alba, existe uma variedade castanha, a B. juncea.

A mostarda possui uma enzima, a anticancerígena mirosina, muito comum nas Brassicáceas, que quando misturada com água fria reage com um glicósido, a sinigrina, produzindo um aroma e um sabor demasiado intensos. Para se obter uma mostarda mais suave, esta deve ser confeccionada a quente, visto que o calor inibe a acção da enzima sobre o glicósido. Também por este mesmo motivo, no caso da preparação de inalações de vapor, a temperatura da água não deve ultrapassar os 45º, para que a enzima não seja desactivada e cumpra a sua função descongestionante.

A acrescentar a isto, a mirosina é anti-cancerígena e não apenas se desactiva quando exposta a temperaturas elevadas, como quando é cozinhada em muita água, uma vez que também é solúvel. Por este motivo as brássicas devem ser cozinhadas ao vapor ou até mesmo fritas, pois só assim preservam as suas características.   

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4 respostas a Mostarda-preta (Brassica nigra (L.) W. D. J. Kosh in Rohl.)

  1. Nanda Costa diz:

    Este blog é tão bonito e interessante, como é possível que não vejam esta beleza, dedicação e atenção da autora ao mundo das plantas?

    Liked by 1 person

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