Alecrim (Rosmarinus officinalis L.)

flora silvestre

Espécie: Rosmarinus officinalis L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Lamiales
Família: Lamiaceae
Sinonímia: Não encontrada.
Nome comum: Alecrim, alecrinzeiro, alecrim-da-terra.
English name: Rosemary.

A luz que brota da terra…

Identificação: Arbusto perene, lenhoso, de folhas coriáceas, estreitas e uninérveas verde-escuras na página superior e acinzentadas na inferior. Possui flores bilabiadas, pequenas, entre o branco rosado e o lilás. Toda a planta exala um aroma intenso e canforáceo. Não atinge mais do que um metro e meio de altura.

Tipo Fisionómico: Caméfito.

Distribuição: Nativa do litoral mediterrânico, hoje cultivado em quase todo o mundo.

Habitat: Encontramo-lo com frequência nas margens das florestas, nas arribas à beira-mar, nos matagais e ruderais, pois adapta-se bem a qualquer tipo de solo e resiste tanto à seca como à chuva intensa. Muito cultivado em jardins.

Floração: Março-Outubro.

Princípios activos: Cânfora, cineol, borneol, linalol, pineno, canfeno, flavonóides, verbenona, ácidos e álcoois triterpénicos, ácido rosmarínico, taninos e resina.

Propriedades: Expectorante, adstringente, anti-séptico, venotónico, anti-colesterol, anti-inflamatório, neurotónico, anti-reumatismal, cardiotónico, carminativo, colagogo, emenagogo, oftálmico, diaforético, anti-depressivo, anti-caspa, anti-queda, escurecedor do cabelo, repelente de insectos

Partes usadas: Hastes completas.

Usos: Em tisanas, cremes, tinturas, loções, destilações, em aromaterapia e como planta ornamental. Aconselhado no combate a doenças de origem viral, doenças de pele, dores menstruais e de cabeça, como anti-caspa (conjugado com borragem resulta melhor, e também empregue na queda de cabelo), bem como no caso de doenças do foro neurológico. O alecrim possui propriedades adstringentes, anti-sépticas e anti-inflamatórias, entre outras. É igualmente usado em casos de má circulação, na resolução de problemas das vias respiratórias e como anti-depressivo. Eficaz contra a gota e na redução do colesterol.

O mel de alecrim é um excelente tónico hepático, combatendo em particular a cirrose. Para além do seu uso medicinal, o alecrim pode ser utilizado como um anti-traças eficaz e não tóxico. Quando cultivado em hortas, protege as culturas de afídios (pulgões). As hastes e as flores fornecem um pigmento amarelo-esverdeado que pode ser usado em tinturaria. Com o alecrim fazem-se defumações e incensos usados em aromaterapia, rituais mágico-religiosos e festas populares, como a de São João na Assenta ou a de São Lourenço no Ramalhal, Concelho de Torres Vedras.

Também usado como erva aromática em misturas de caril e na confecção de pratos de caça.

Curiosidades: Considerado pelos antigos Romanos, Gregos, Egípcios e Árabes como uma panaceia, o alecrim ocupa o topo da lista de plantas medicinais mais utilizadas pelo Homem desde a Pré-História. Presença assídua em casamentos e funerais, o alecrim celebra a vida e a morte na espiral contínua do tempo. O seu aroma intenso e agradável fez com que fosse identificado com os poderes da Luz e usado em rituais mágicos contra os espíritos sombrios que levam a melancolia ao coração dos homens…

A Rainha Isabel da Hungria era uma acérrima apologista do uso do alecrim, não só em tisanas ou como condimento, mas também em banhos, para os quais preparava uma loção, macerando as flores em álcool, receita que, segundo ela, lhe havia sido inspirada por um anjo e com a qual se curou da gota e do reumatismo.

Carlos Magno ordenou aos seus súbditos o cultivo do alecrim, visto reconhecer-lhe inúmeras aplicações terapêuticas e usos culinários.

Reduzido a pó e misturado com alho e estragão, impede que a manteiga rance.

Para além de combater a caspa, o alecrim escurece o cabelo e trava a sua queda.

Uma antiga crença diz que o alecrim cresce melhor nos jardins das casas governadas por mulheres. Será verdade?

De acordo com o seguinte texto, que aqui transcrevo na íntegra, o alecrim foi durante muito tempo usado como insecticida e, em particular, contra a melancolia. Dou-lhe especial relevo, uma vez que apresenta um retrato fidedigno de alguns fins terapêuticos que no passado eram dados a esta planta, os quais ainda nos dias de hoje podemos descobrir em muitas tradições europeias.

«Tratado Segundo Das excellencias do alecrim, e sua qualidade.

O alecrim de sua natureza he quente e seco, aromatico e odorifero e, assim, conforta e recrea todas as partes e mebros interiores e exteriores do corpo, alegra, e fortifica os sentidos, gasta as humidades, frialdades, oppilacoens e males contagiosos.

tratado de medicina Finalmente o alecrim naõ admite melancolias, tristezas, tremores, nem desmayos de coraçaõ, cujas raizes, ramos, cascas, folhas, e flores tem quasi infinitas virtudes, das quaes diremos as que bem, e fielmente collegimos, e tiramos dos sobreditos Authores; para gloria de Deos Nosso Senhor, e proveito dos homens.

Os gomosinhos mais tenros do alecrim comidos pelas manhãs com paõ, e sal, fortificam a cabeça, e o cérebro, conservaõ a vista alentada, aguda, robusta e forte.

A flor, e folhas do alecrim feitas em po, e trazidas junto ao corpo, affugentaõ os três inimigos do mesmo corpo, que saõ pulgas, piolhos, e porçovejos.

Os sobreditos pos trazidos junto ao corpo, e da banda esquerda, impedem a melancolia, e alegraõ muito o coraçaõ.

As folhas do alecrim bem machucadas, ou mastigadas, e postas sobre a chaga fresca, a curaõ, e cerraõ maravilhosamente.

A flor do alecrim comida em jejum com mel da mesma flor, e huma fatia de paõ quente, conserva muito a saude, e naõ deixa gerar boubas, sangue podre, nem mal de gota, antes pelo contrário, se alguem tiver tal mal, lho tirará.

O alecrim affugenta todo o animal venenoso, cujo fumo serve contra toda a peste e mal contagioso.» (sic)

In Fysiognomia e Varios Segredos da Naturesa, de Jeronymo Cortés, traduzido por António da Sylva de Brito, Coimbra, 1728.

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