Dormideira (Papaver somniferum L.)

flora silvestre

Espécie: Papaver somniferum L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Ranunculales
Família: Papaveraceae
Sinonímia: Não encontrada.
Nomes comuns: Dormideira, papoila-de-ópio.
English name: Opium Poppy.

Poderosa pelo seu látex, o ópio, que lhe é extraído da cápsula enquanto verde, a dormideira é amaldiçoada por uns e abençoada por outros, espelhando sem contradições o bem e o mal passivos na Natureza. O seu poder hipnótico relaciona-a com o sono eterno, com a morte. As suas pétalas frágeis adornam a cabeça de Morpheu (Somnus) adormecido, inspirando-lhe os sonhos que Hermes-Mercúrio traz aos homens…

Identificação: Muito semelhante à papoila comum mas de muito maior dimensão, apresenta folhas ovado-oblongas, lobadas, claras, de limbo ondulado e verde-acinzentado. Cápsulas poricidas de grande dimensão contêm um elevado número de sementes negras. As pétalas poderão ser vermelhas, rosadas, lilases ou brancas.

Tipo fisionómico: Terófito.

Distribuição: Nativa do Médio Oriente e do Leste europeu, foi introduzida na Índia pelos Persas.

Habitat: Surge em matagais, margens de caminhos, margens de rios, ruderais. Pode surgir como rupícola em muros e passeios.

Floração: Maio/Junho.

Princípios activos: Morfina, narcotina, tebaína, narceína, papaverina e codeína.

Propriedades: Narcótica, estomáquica, venotónica, sedativa, calmante, anestésica e nutritiva.

Partes usadas: Látex das cápsulas, pétalas e sementes.

Usos: Tirando a presença do látex, o ópio, que queimado dá origem à dimorfina (heroína), as pétalas e as sementes são usadas para os mesmos fins que as da Papaver rhoeas, como anestésico ligeiro e calmante, sendo igualmente empregues em doçaria. O consumo das sementes melhora a circulação sanguínea e resolve problemas estomacais. A codeína é usada como analgésico e na prevenção da tosse. Alivia a tensão muscular e é anti-espasmódica. O ópio em si, possui efeitos alucinogénicos e hpnóticos, criando uma sensação de «não-tempo».

Curiosidades: Os opiómanos, fumadores de ópio, vêem-se muitas vezes obrigados a recorrer à cirurgia plástica, uma vez que o ópio faz dilatar a cana do nariz. O ópio produz visões estáticas, imagens paradas que parecem suspender o tempo, pelo que se crê ter sido usado pelos pintores rupestres do Paleolítico Superior na criação das suas gravuras.

Os Gregos e os Romanos já conheciam o ópio desde pelo menos o século IV a.C.. As suas propriedades narcóticas fizeram da dormideira uma planta mística, usada em rituais mágicos, poções de amor e venenos desde épocas proto-históricas.

No século XIX, a China impôs taxas alfandegárias elevadíssimas ao ópio indiano comercializado pelos Ingleses, o resultado disto foi a Guerra do Ópio que terminou em 1847.

A morfina e a codeína são dois derivados do ópio. Dadas as suas propriedades soníferas, a dormideira tornou-se num emblema funerário, pelo que é comum encontrá-la esculpida em túmulos e lápides como que a ilustrar o sono eterno.

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