Celidónia (Chelidonium majus L.)

flora silvestre

Espécie: Chelidonium majus L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Ranunculales
Família: Papaveraceae
Sinonímia: Não encontrada.
Nomes comuns: Quelidónia, erva-das-verrugas, erva-betadine, erva-andorinha, erva-dos-cortes, aruda, celidónia, cedronha, ceredonha, ceruda, cerúdia, leiteira.
English name: Celandine.

Floresce com a chegada das andorinhas e regressa à terra com a sua partida, A celidónia granjeou um estatuto mágico ao longo do seu convívio com a humanidade. Como apotropaica, conserva os demónios, as bruxas malignas e os oficiais de justiça à distância; como curandeira, a sua acção é bem mais extensa!

Identificação: Herbácea vivaz de cerca de 50 cm de altura, muito ramificada desde a base, fracamente pubescente, que apresenta folhas verde-claras na página superior e tendencilamente glaucas na inferior, penatissectas e compostas por segmentos ovados. Distingue-se muito facilmete pelas suas flores amarelo-douradas, reunidas em umbelas simples de 2 a 6 flores de quatro pétalas actinomórficas e numerosos estames. Toda a planta quando partida ressuma um látex alaranjado que recorda em tom e odor o betadine, o que lhe granjeou o nome popular de erva-batadine. O fruto é uma cápsula alongada e estreita que contém centenas de pequenas sementes negras que germinam mal tocam o solo.

Tipo Fisionómico: Hemicritfófito.

Distribuição: Euroásia e Norte de África.

Habitat: Surge em matagais, margens de caminhos, lugares umbrófilos e clareiras de bosques. Actualmente é das mais cultivadas plantas medicinais, uma vez que o seu látex apenas está disponível no momento em que a planta é cortada.

Floração: Março/Outubro.

Princípios activos: Alcalóides, em particular a quilidonina, cuja acção se assemelha à da papaverina. Apresenta protopina, quelamina, queleritina, sanguinarina, esparteína, capsicína, berberina, ácidos málico, cítrico, succínico e quelidónico, fosfato de cálcio, carotenóides, enzimas, óleo essencial e saponinas.

Propriedades: Colerética, colagoga, citostática, vulnerária, espasmolítica, sedativa, narcótica e analgésica (semelhante ao ópio). anti-viral, diaforética e purgativa.

Partes usadas: Parte aérea florida, raiz e látex.

Usos: O látex é muito empregue como vulnerário sobre feridas e cortes, mas também na remoção de pontos negros, verrugas e calos. A raiz, pouco recomendada, é particularmente usada como sedativo e analgésico pela sua acção antiespasmódica sobre os músculos, vias respiratórias e intestinos. As partes aéreas secas são empregues em casos de bronquite, tosse, problemas hepáticos, incluindo icterícia, arritmias, cansaço (sobretudo em infusão com hortelã, espinheiro-alvar, pétalas de papoila de papoila e salva),  arteriosclerose, edema, gota, reumatismo, asma, hipertensão, pólipos intestinais, cancro do estômago e litíases.

Como planta tóxica, o seu uso interno deve ser descontínuo e aplicado por um profissional homeopata, sendo que a toma desta infusão não deve ultrapassar os 10g./L. e ter de preferência lugar durante as refeições. É de salientar o seu sabor extremamente desagradável.

O látex pode causar irritação cutânea, pelo que deve ser restricto ao uso tópico.

Curiosidades: Por florir com a chegada das andorinhas e morrer com a sua partida, os Antigos Gregos deram-lhe o nome desta ave.

A celidónia está presente em numerosos tratados medicinais desde a Antiguidade, sempre indicada como remédio hepático e tradicionalmente empregue em casos de náuseas, vómitos, dores de cabeça de origem hepática e nervosa, litíases renais e biliares, calosidades e verrugas. Misturada em vinho é utilizada em casos de insónia.

Na medicina chinesa é muito usada no tratamento de tosse convulsa e também como analgésico e anti-inflamatório. Para além do emprego tópico do látex, a celidónia é usada sob a forma de tintura ou mais raramente em infusão devido à presença de alcalóides tóxicos.

A cor amarelo-alaranjada do látex e o amarelo das flores fazem desta planta um exemplo da medieval «Teoria das Assinaturas» que propunha que certas plantas indicavam pela sua aparência física as doenças que eram capazes de tratar. Assim, a celidónia sempre foi associada aos problemas hepáticos e à icterícia.

Uma superstição popular faz da celidónia um poderoso amuleto em tribunais e competições, para além de afastar o mau-olhado e os espíritos inferiores.

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