Linho-de-inverno (Linum usitatissimum L.)

flora silvestre

Espécie: Linum usitatissimum L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Malpighiales
Família: Linaceae
Sinonímia: Linum bienne Mill.
Nome comum: Linho-de-inverno, linho-comum, linho-da-terra, linho-bienal, linho-mourisco, linho-galego-silvestre.
English name: Flax.

Do nascimento à morte, o linho acompanhava as vidas humanas nas suas ocasiões mais especiais: nele envolviam-se os recém-nascidos, com ele as noivas casavam-se, com ele morria-se. Era vestido, era toalha, era colcha, era mortalha.

Identificação: Herbácea anual, de crescimento erecto até cerca de 1m de altura, por vezes mais, de folhas alternas, estreitas e lanceoladas, de ápice acuminado e margens lisas. As flores brotam em cimeiras terminais lassas, são pentâmeras, azuis ou amareladas, de pétalas livres. O fruto é uma cápsula.

Tipo Fisionómico: Terófito.

Distribuição: Provavelmente nativa da Europa e do Médio Oriente, hoje cosmopolita.

Habitat: Ruderais, campos cultivados, margens de caminhos.

Floração: Maio-Junho.

Princípios activos: Proteínas, glicósidos cianogénicos (ácido prússico), hidratos de carbono, fibras, cálcio, fósforo, magnésio, potássio, sódio, zinco, vitaminas A, B1, B2, B6 e C, e ácido glutâmico.

Propriedades: Laxante, expectorante, lubrificante, emoliente, anti-tumoral, analgésico, cardiotónico e anti-tússico.

Partes usadas: Óleo, sementes, folhas e caules.

Usos: O óleo é usado na alimentação, em cosmética e no tratamento de doenças mentais nos adultos. As sementes, quer em tisanas, quer em emplastros, são empregues no tratamento de tumores diversos, em caso de prisão de ventre crónica, uma vez que aumenta o peristaltismo intestinal. As folhas são usadas em casos de gonorreia (infusão). As sementes são ainda empregues em tosses, dores de garganta, queimaduras e escaldões (quando misturadas com tília ou erva-cidreira em emplastros), digestões difíceis, abscessos, ulcerações e sífilis, obesidade, infertilidade, menopausa e diabetes. As sementes torradas substituem o café. O ácido prússico, quando em pequenas doses, estimula a respiração.

Os caules fornecem fibra usada na confecção de vestuário (linho) e de vedantes (estopa), para além de serem usados no fabrico de papel de alta qualidade. O óleo é empregue na produção de vernizes, tintas, esmaltes, sabão e em misturas aplicadas em spray que evitam a formação de gelo nas estradas, uma alternativa ao sal.

As espécies de linhaça cultivadas para alimentação possuem baixíssimas quantidades de ácido prússico.

Curiosidades: Talvez tenha sido a primeira fibra cultivada pelo Homem no início da Neolitização. A ele estão associados os famosos pesos de tear, comuns na maioria dos povoados neolíticos e calcolíticos.

É frequente falar-se nos «tormentos do linho», isto porque desde a colheita aos teares, os caules desta planta passam por diversas fases de tratamento até se tornarem fibras confortáveis e tecíveis. Após colhido e liberto das cápsulas através da ripagem, feita ainda no campo, é orvalhado durante pelo menos um mês, para que a chuva e o orvalho criem sobre ele microscópicos cogumelos que decomponham a goma que une as fibras, ou posto a macerar em água fria para o mesmo efeito. Após isto, é lixiviado com cinzas, cozido em forno de lenha selado com barro, no qual o costume manda traçar uma cruz de protecção. Após isto, é posto nas águas correntes de um rio por um determinado período de tempo, seco ao Sol, penteado, sedado, para então poder ser fiado, ensarilhado, dobado, encanelado e finalmente tecido… Eis alguns dos seus «tormentos», que resultam em finos lençóis, toalhas bordadas, delicadas peças de vestuário, o que a imaginação e a necessidade ditarem.

O linho está simbolicamente associado à pureza e à eternidade. As famosas colchas de Castelo Branco são feitas de linho e bordadas a seda. O moroso processo do linho, somado a sua qualidade, torna-o num tesouro passado de geração em geração.

A Bíblia cita-o diversas vezes. A túnica usada por Jesus Cristo era de linho cru e feita de uma peça só, em representação da Unidade.

De acordo com a Botânica Oculta de Paracelso, as sementes de linho facilitam visões do futuro.

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