Verbena (Verbena officinalis L.)

flora silvestre

Espécie: Verbena officinalis L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Lamiales
Família: Verbenaceae
Sinonímia: Não encontrada.
Nomes comuns: Verbena, ulgebrão, gervão, erva-dos-leprosos, erva-sagrada, algebrado, etc.. No Brasil é conhecida também por erva-do-fígado.
English name: Vervain.

Dedicada a Vénus, cresce sob a protecção do Sol e das deidades ctónicas, que a tornam imune às artes demoníacas do Invisível e aos males desde mundo…

Identificação: Herbácea de aproximadamente 70 cm de altura, glabrescente ou ligeiramente vilosa, sobretudo a nível da inflorescência e da página inferior das folhas. Apresenta um caule erecto e tendencialmente ramificado, marcado por sulcos longitudinais. As folhas, não muito grandes, são sésseis, rugosas, de limbo quadriculado, inciso-serradas ou penatifendidas. As flores, brancas ou rosadas, pentâmeras, de pétalas unidas na base, são frequentemente exíguas e dispostas em espigas rosadas axiais e terminais. O fruto é uma cápsula com quatro sementes.  

Tipo fisionómico: Caméfito.

Distribuição: Europa, sobretudo no sul. Cultivada em diversas partes do mundo.

Habitat: Terrenos húmidos e soalheiros, ruderais, orlas dos bosques.

Floração: Junho-Dezembro.

Princípios activos: Verbenalósido, do qual se obtém o mais importante dos seus princípios activos, a verbenalina, bem como verbenalol e hastatósido. Contém ainda taninos, mucilagem, saponinas, glicósidos, ácidos salicílico e caféico, princípio amargo e óleo essencial composto por geraniol, citrol, terpenos e alcalóides terpénicos.   

Propriedades: Sedativa, antidepressiva, vasodilatadora renal, anti-tússica, vulnerária, antiespasmódica, anti-séptica, relaxante muscular, neuro-tónica, adstringente, anti-reumatismal, anti-inflamatória, digestiva, galactagoga, anti-anémica, emética, emanagoga, tónica uterina, contraceptiva, dermatológica e aromática.

Partes usadas: Toda a planta.

Usos: Como sedativa é empregue em casos de enxaqueca e insónia. Em infusão vinho ou xarope é usada no tratamento da depressão, transtornos gástricos, hepáticos e renais, dismenorreia, amenorreia, problemas do foro respiratório e como facilitadora do parto, não devendo por isso ser tomada por mulheres grávidas. A raiz é particularmente adstringente e usada no tratamento de diarreias.

Sob a forma de emplastros é aplicada em áreas afectadas pelo reumático. Em tinturas, loções e cremes é usada como cicatrizante de feridas, psoríase, acne, dermatites, queimaduras e inflamações orofaríngicas e oculares. É de registar ainda a sua actividade anti-tumoral e contraceptiva, esta última de acordo com a medicina tradicional chinesa.

Na terapia com Florais de Bach, vamos encontrá-la associada ao tratamento da depressão, do stress, da tensão, do fanatismo e do idealismo excessivo.  

Muito procurada pela indústria cosmética e perfumeira.

Na Idade Média era empregue no tratamento da lepra.

Não pode ser tomada por quem sofra de hipotiroidismo, uma vez que reduz a actividade da tiróide.    

Curiosidades: Os Romanos chamavam-lhe «erva-santa», nome que ainda hoje é utilizado para designá-la; os Cristãos continuaram a chamar-lhe erva-sagrada e percebe-se bem porquê. O seu valor místico não fica atrás do medicinal. Consagrada a Isis e a Vénus, com esta planta extraordinária fabricavam-se poções do amor e diversos outros filtros mágicos.

«Ambas as espécies são usadas pelos gauleses como forma de adivinhação e para lançar profecias, e os Magi (os druidas) fazem afirmações loucas acerca da planta: as pessoas que são esfregadas nela obtêm os seus desejos, banem as suas febres, ganham amigos e curam todas as doenças sem excepção.

Eles acrescentam que ela deve ser apanhada na altura do nascer da Estrela do Cão sem que a sua acção seja vista pela Lua ou pelo Sol; e que antes de ser colhida deverá ser feita uma oferenda de mel e de favo de mel à terra; que um círculo deve ser desenhado com ferro em torno da planta e então ela deve ser puxada para cima com a mão esquerda e erguida ao alto; que as folhas, caule e raízes devem ir a secar separadamente à sombra.»

Plínio, o Velho.

No mundo antigo, era uma erva sacerdotal, empregue em rituais religiosos de intento propiciatório. A sua colheita, como a de qualquer outra planta mágica, não podia ser feita em qualquer altura, como o refere Plínio, para além de ser necessário esperar pela sua floração. Tratando-se de uma espécie regida pelas entidades invisíveis ligadas à terra e sob a égide solar, no Egipto a verbena devia ser colhida assim que Sírios (Sótis), estrela alfa da constelação de Cão Maior, surgisse no horizonte, altura coincidente com o início da estação das cheias do Nilo (Akhet, Julho). Costume semelhante, embora não de cariz sotiático, encontramos entre os povos célticos. Seguindo a tradição medieva, a colheita da verbena era levada a cabo ao fim da tarde, à hora das fadas, de um dia muito luminoso, de preferência umas horas antes da lua cheia de Julho. Na tradição cristã, a colheita deve ser realizada em noite de São João.

Os mitos célticos colocam-na no patamar das ervas que nenhum mal, físico ou astral, pode atingir, ao lado de outras como a vinca, o hipericão, o milefólio, a eufrásia e a malva (Briggs, 1967).

As crenças em torno da verbena são sem dúvida maiores que ela própria. Entre outras coisas, acreditava-se que, juntamente com sementes de peónia, poderia ser cura para a epilepsia e outros males atribuídos à acção de forças demoníacas, que só estas plantas tinham o poder de banir.

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