Valeriana-de-jardim (Centranthus ruber L.)

flora de jardim

Espécie: Centranthus ruber L.
Divisão: Magnoliphytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Dipsacales
Família: Valerianaceae
Sinonímia: Centranthus latifolius Dufr., Centranthus marinus Gray, Centranthus maritimus Gray, Centranthus maritimus DC., Kentranthus ruber (L.) Druce, Valeriana alba Mazziari, Valeriana florida Salisb.,Valeriana hortensis Garsault, Valeriana rubra L.
Nomes comuns: Valeriana, valeriana-de-jardim, cuidado-dos-homens, rosa-da-rocha, alfinetes, boliana.
English name: Red valerian.

As diferentes espécies do género valeriana são frequentemente usadas na decoração de jardins, dada a beleza das suas flores. Muitos ignoram que o seu verdadeiro valor não se encontra à superfície, mas, antes, escondido debaixo da terra

Identificação: Planta herbácea que cresce até cerca de 60 cm. Possui folhas lisas, recortadas com segmentos lanceoladas. As flores, organizadas em cacho, apresentam uma tonalidade rosa-forte muito característica.

Tipo Fisionómico: Hemicriptófito.

Distribuição: Eurásia.

Habitat: Encontramo-la em solos arenosos e húmidos, nas margens dos caminhos, nos passeios, nas orlas das matas e sobretudo nos jardins.

Floração: Março/Maio.

Princípios activos: Ácido valerénico, ácidos isovalérico e isovalerénico, ésteres, flavonóides, taninos, valerina, valerianina, actinidina e chatinina.

Propriedades: Calmante, sonífera, diurética, expectorante, anti-reumatismal.

Partes usadas: Raiz.

Usos: Calmante, actua como sonífero ligeiro, diminui a tensão nervosa resultante de traumas ou de ansiedade. É usado em casos de síndroma do colón irritável, cãibras e reumático.

Curiosidades: Ao contrário do efeito calmante que tem sobre o Homem, a valeriana parece provocar nos felinos um estado de euforia, à semelhança da nêveda-dos-gatos (Nepeta cataria L.). Após a II Guerra Mundial, a raiz da valeriana foi usada no tratamento de sintomas de ansiedade relacionadas com stress pós-traumático, conhecido com “neurose dos bombardeamentos”. O intenso e desagradável odor da valeriana apenas se manifesta após a sua secagem.    

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Santolina (Santolina impressa Hoffmanns. & Link)

flora dunar

Espécie: Santolina impressa Hoffmanns. & Link.
Divisão: Magnoliphytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Asterales
Família: Asteraceae (compotas)
Sinonímia: Não encontrada.
Nome comum: Santolina.
English name: Santolina

Um endemismo bem português que só agora está a ser desvendado pela comunidade científica internacional. Com um passado longo e já esquecido, é o futuro que a entronizará. 

 Identificação: Subarbusto perenifólio lenhoso, que não ultrapassa os 80 cm de altura, apresenta folhas estreitas, densas, alternadas, semelhantes às do alecrim, mas de coloração esbranquiçada, ligeiramente tomentosa. Os capítulos, globosos, são de um amarelo vibrante e apenas as flores do disco externo apresentam cinco pétalas curtas.

Tipo fisionómico: Caméfito.

Distribuição: Endémica do Estuário do Sado, encontra-se hoje numa área cada vez mais alargada, que inclui a Costa do Sol.

Habitat: Paleodunas, matos psamófilos ácidos a coberto de pinhais; arribas costeiras.

Floração: Abril-Junho

Princípios activos: Óleo essencial (composto por cetonas, lactonas, pinenos e cânfora), apigenina, luteolina, taninos catéquicos, catequinas, cumarinas e ácidos fenólicos.

Propriedades: Assemelham-se muito às da sua congénere S. chamaecyparissus, conhecida por «abrótano-fêmea». É anti-inflamatória, anti-helmíntica, antiespasmódica, antimicrobiana e antifúngica.

Usos: Esta planta tem sido usada medicinalmente ao longo dos tempos como digestivo, no alívio de cólicas e espasmos gastroentestinais, flatulência e gastrite. Também empregue no tratamento do doenças orofaríngicas e como tónico vulnerário. O seu óleo essencial apresenta elevada actividade antifúngica e vermífuga contra nematóides, o que o tem feito merecer especial atenção por parte dos investigadores. É empregue em dermoparasitoses.

Curiosidades: A sua parente S. chamaecyparissus começou por ser utilizada como insecticida contra traças, e hoje o seu óleo essencial é bastante usado pela indústria perfumeira. O óleo essencial da santolina, aqui monografada, está ainda a dar os primeiros passos na indústria farmacêutica e na agroquímica, pelo seu efeito nematotóxico. Crê-se que aos nemátodos tenha cabido parte da responsabilidade na extinção dos dinossauros. A perigosidade destes parasitas na agricultura e na saúde humana, faz crescer o interesse pela S. impressa, existente apenas em portugal.

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Lavanda-do-mar (Limonium virgatum (Willd.) Fourr.)

Espécie: Limonium virgatum (Willd.) Fourr. Divisão: Magnoliphytas Classe: Magnoliopsidas Ordem: Caryophyllales Família: Plumbaginaceae Sinonímia: Limonium oleifolium Mill.; Statice virgata Willd.  Nome comum: Lavanda-do-mar, limónio. English name: Sea lavender.

Espécie: Limonium virgatum (Willd.) Fourr.
Divisão: Magnoliphytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Caryophyllales
Família: Plumbaginaceae
Sinonímia: Limonium oleifolium Mill.; Statice virgata Willd.
Nome comum: Lavanda-do-mar, limónio.
English name: Sea lavender.

Suspensa dos calcários das arribas, a lavanda-do-mar forma delicadas e pálidas grinaldas que muitas vezes passam despercebidas por entre o perrexil, que tão lealmente a acompanha. 

Identificação: Partindo de um tufo ou roseta de folhas basais abovadas e coriáceas, os seus caules finos e ramificados atingem cerca de 70 cm de altura. As flores, lilás-claras e assalveadas, são pentâmeras, ligeiramente zigomórficas e surgem em rácimos unilaterais, providas de esporões basais e cálices esbranquiçados, curtos e persistentes. As pétalas apresentam o ápice fendido. O fruto é um aquénio utriculiforme.

Tipo Fisionómico: Hemicriptófito.

Distribuição: Endemismo português.

Habitat: Arribas calcárias e areias marítimas.

Floração: Julho-Setembro.

Princípios activos: Taninos e mucilagem.

Propriedades: Descongestionante, hemostática, depurativa e vulnerária.

Partes usadas: Raiz.

Usos: Empregue no tratamento da tuberculose, hemorragias internas e externas, gripes e constipações.

Curiosidades: O nome Limonium, tal como esta planta era chamada na Grécia Antiga, parece significar «prado húmido».

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Lírio-do-vale-das-pampas (Salpichroa origanifolia Lam.)

Espécie: Salpichroa origanifolia Lam. Divisão: Magnoliophytas Classe: Magnoliopsidas Ordem: Solanales Família: Solanáceas Sinonímia: Atropa rhomboidea Gillies et Hook. Busbequia radicans Mart. Perizoma rhomboidea (Gillies et Hook.) Small Physalis origanifolia Lam. Planchonia arbutifolia Dunal Salpichroa rhomboidea (Gillies et Hook.) Miers Withania origanifolia (Lam.) Pailleux et Boiss.  Nomes comuns: Orelha-de-ovelha,  orelha-de-carneiro, lírio-do-vale, ovo-de-galo, erva-das-abelhas, congonha.  English name: Pampas lily-of-the-valley.

Espécie: Salpichroa origanifolia Lam.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Solanales
Família: Solanáceas
Sinonímia: Atropa rhomboidea Gillies et Hook. Busbequia radicans Mart. Perizoma rhomboidea (Gillies et Hook.) Small Physalis origanifolia Lam. Planchonia arbutifolia Dunal Salpichroa rhomboidea (Gillies et Hook.) Miers Withania origanifolia (Lam.) Pailleux et Boiss.
Nomes comuns: Orelha-de-ovelha, orelha-de-carneiro, lírio-do-vale, ovo-de-galo, erva-das-abelhas, congonha.
English name: Pampas lily-of-the-valley.

O nome desta solanácea varia consoante a época do ano. No início da Primavera, as suas folhas dão-lhe o nome de orelha-de-ovelha, dado a sua forma se assemelhar às orelhas desse animal. No final da Primavera, quando despontam as suas florezinhas brancas carregadas de néctar, recebe o nome de lírio-do-vale. No Outono, quando surgem frutos ovais e brancos, em França dão-lhe o nome de ovo-de-galo.

Identificação: Herbácea perene de folhas ovado-lanceoladas semelhantes às dos orégãos, alternas. Flores pequenas, brancas e solitárias, urceoladas e quiquelobadas. Cálice de cinco sépalas. Fruto ovóide branco que escurece quando maduro. Forma caramanchões.

Tipo Fisionómico: Caméfito.

Distribuição: nativa da América do Sul, difundiu-se por toda a costa atlântica europeia e pelo Mediterrâneo. Adapta-se a qualquer tipo de solo. Surge em ruderais, na margem dos caminhos e em terras incultas. É considerada invasiva.

Floração: Maio/Julho.

Princípios activos: Solanina, atropina. Toda a planta é tóxica.

Propriedades: Sedativa/anestésica, melífera.

Partes usadas: Flores e frutos.

Usos: Apicultura. Também usada como anestésico (folha).

Curiosidades: Por se tratar de uma planta extremamente melífera, foi introduzida na Europa por apicultores. 

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Figueira-do-inferno (Datura stramonium L.)

Espécie: Datura stramonium L. Divisão: Magnoliophytas Classe: Magnoliopsidas Ordem: Solanales Família: Solanaceae Sinonímia: Não encontrada. Nomes comuns: Figueira-do-inferno, nogueira-do-inferno, pomo-espinhoso, datura-estramónio, castanheiro-do-inferno, erva-dos-mágicos, erva-dos-bruxos, figueira-brava, erva-do-diabo. English name: Thornapple.

Espécie: Datura stramonium L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Solanales
Família: Solanaceae
Sinonímia: Não encontrada.
Nomes comuns: Figueira-do-inferno, nogueira-do-inferno, pomo-espinhoso, datura-estramónio, castanheiro-do-inferno, erva-dos-mágicos, erva-dos-bruxos, figueira-brava, erva-do-diabo.
English name: Thornapple.

Ou datura-estramónio, nome que facilmente se presta a um trocadilho com «datura-demónio», ou não estivéssemos a falar de uma das mais míticas plantas que ensombraram a imaginação medieva e que conduziram homens de mulheres a infernos mentais e às fogueiras da Inquisição.

Identificação: Herbácea anual, glabra, de crescimento ramificado e erecto até cerca de 1m de altura, de folhas amplas, irregularmente dentadas e verde-escuras. As flores são gamopétalas, formando uma campânula branca de cinco vértices. O fruto é uma cápsula espinhosa e deiscente, que lembra a forma de uma noz, provida de inúmeras sementes negras. Toda a planta, quando esmagada, exala um odor desagradável e acre.

Tipo Fisionómico: Terófito.

Distribuição: Ainda que alguns dados apontem para Ásia Central, a sua origem é tão obscura como os efeitos da sua seiva no sangue humano. Actualmente cosmopolita.

Habitat: Escombros, margens de rios, de pântanos, ruderais, encostas, arribas, ruínas, bordaduras e clareiras de bosques.

Floração: Junho-Outubro.

Princípios activos: Alcalóides tóxicos anticolinérgicos (solanina, atropina, hiosciamina e escopolamina). Os níveis de nitrogénio do solo ditam a percentagem destes alcalóides em cada exemplar que nele cresce.

Propriedades: Alucinogénia, narcótica, hipnótica, psicoactiva, neurotóxica, vermífuga, antiespasmódica, anti-asmática, analgésica, anti-inflamatória, insecticida e bactericida. As sementes são a parte mais tóxica, sendo que apenas vinte podem causar a morte. A sua correcção farmacológica torna a hiosciamina, a atropina e a escopolamina princípios favoráveis ao tratamento de doenças mentais e neurológicas.

Partes usadas: Flores, folhas e frutos.

Usos: Para além dos usos mágicos e enteógenos que ao longo da História se lhe têm dado, a figueira-do-inferno tem mais para oferecer do que uma imagética infernal que expõe o ser humano aos seus temores mais íntimos, recalcamentos e falsas elaborações mentais paradisíacas. Recentemente, alguns dos seus alcalóides têm vindo a ser investigados como tratamento para a doença de Parkinson. A medicina popular prescreve o óleo dos seus frutos para tratamentos capilares contra a caspa e a alopecia. As folhas, colhidas durante a floração, bem como as sementes, podem ser empregues externamente em emplastros no tratamento de abscessos, fístulas, quistos dermóides, neuralgias persistentes e feridas. A defumação com as suas sementes é ideal para tratamento da asma.

Curiosidades: A datura é assaz útil no controlo de pragas em culturas biológicas, uma vez que funciona como repelente de insectos e bactericida. Alelopaticamente, esta planta é um dos poucos mecanismos naturais a que um agricultor pode recorrer para controlo do sorgo (Sorgus halepensis), quando este se torna infestante em hortas e cearas. Não deve, todavia, ser cultivada demasiado pertos das plantas que se quer preservar, visto que a hiosciamina libertada no solo é transformada em atropina e absorvida pelas raízes das outras plantas, enfraquecendo-as.

A Datura stramonium era um dos principais ingredientes da famosa «poção dos bruxos», que lhes permitia voar nos cabos das suas vassouras até às clareiras florestais onde o Sabbat tinha lugar. Tudo leva a crer que os relatos destes conciliábulos demoníacos extraídos, muitas vezes sob tortura, pelos inquisidores aos pretensos bruxos, não passavam de falsas memórias criadas pelo uso deste alucinogénio e pelo efeito de sugestão provocado pelas histórias fantásticas que circulavam no Limes da sociedade medieval, onde mito e realidade se fundiam num só conceito.

Em 1881, o químico alemão Albert Landenburg conseguiu isolar a escopolamina a partir da datura.

A palavra datura deriva do nome do veneno que esta planta contém, o chamado dhât, usado pelos membros da seita Thug, uma seita hindu composta por ladrões e assassinos em série que veneravam a deusa da Morte, Kali. Ainda hoje, esta planta é fumada juntamente com tabaco por ameríndios norte-americanos em rituais divinatórios e em transes xamânicos.

Entre os Araucanos, cultura da América do Sul (Chile), a datura é desde há milénios usada em ritos fúnebres e administrada em doses mínimas a crianças pequenas para, de acordo com o comportamento que desencadear, prever o seu futuro.

O «nepenthe» de que fala Edgar Allan Poe no seu célebre poema O Corvo, refere-se a uma beberagem imaginária feita com base neste alucinogénio em conjunto com algum opiáceo poderoso, que tinha em vista o esquecimento da mulher amada e inatingível, o mesmo «nepenthe» que Helena de Tróia recebera de Polidamna e que dera a Telémaco para que este esquecesse a angústia causada pela morte do pai. À letra, nepenthe significa em Grego «esquecer o sofrimento», e é citado diversas vezes na Mitologia Grega, nomeadamente na Odisseia de Homero. Era a poção mágica criada pela feiticeira Circe para revelar a verdadeira natureza dos homens e os subjugar; o seu antídoto foi dado por Hermes a Odisseu para que este resistisse aos ardis daquela feiticeira. Com o mesmo veneno, este herói dos mares untava a ponta das suas flechas e deste modo terá matado o ciclope Polifemo. Também durante a Idade Média, a datura era usada como veneno de guerra, o que faz suspeitar de uma continuidade.

Os transes divinatórios em que entravam as sacerdotisas da Antiguidade seriam induzidos pela datura e outras plantas que ardiam nos templos.

De acordo com Paracelso, a soturna datura é regida pelo planeta Saturno.

Plínio e Teofrasto falam dela, uma planta que bem doseada e misturada com outras ervas provocava sonhos amenos e atenuava o sofrimento dos enfermos.

Os efeitos da intoxicação por datura manifestam-se através da secura da boca e das mucosas, dado o efeito anticolinérgico dos seus alcalóides, náuseas, vómitos, tonturas, sensação de deixar cair tudo das mãos, mesmo que não se esteja a segurar em nada, ao que se seguem fortes alucinações psicadélicas e só depois imagéticas, tanto agradáveis como infernais, dependendo do inconsciente de cada um; visão dupla e sensação de metamorfose, o que valida os efeitos da poção de Circe que transformava os homens em animais. Este narcótico tem o poder de criar delírios conscientes e de induzir grandes discursos políticos e religiosos. Três gramas desta planta, folhas ou flores, podem desencadear a morte. Não se lhe conhece nenhum verdadeiro antídoto, apenas a chamada «erva-espanta-diabos», Phagnalon saxatile ou P. rupestre, é susceptível de acalmar e neutralizar até certo ponto os seus efeitos, dado o seu valor colinérgico.

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Erva-moura (Solanum niger L.)

Espécie: Solanum nigrum L. Divisão: Magnoliophytas Classe: Magnoliopsidas Ordem: Solanales Família: Solanaceae Sinonímia: Solanum decipiens Opiz.; Solanum nigrum L. var. vulgare L.; Solanum dillenii Schult.  Nomes vulgares: Erva-moira, erva-moura, morela, erva-moira-sem-pêlos, erva-moira-da-baga-preta, fona-de-porca, erva-santa, solano, tomateiro-bravo, tomateiro-do-diabo, erva-moira-mortal. English name: Black nightshade.

Espécie: Solanum nigrum L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Solanales
Família: Solanaceae
Sinonímia: Solanum decipiens Opiz.; Solanum nigrum L. var. vulgare L.; Solanum dillenii Schult.
Nomes vulgares: Erva-moira, erva-moura, morela, erva-moira-sem-pêlos, erva-moira-da-baga-preta, fona-de-porca, erva-santa, solano, tomateiro-bravo, tomateiro-do-diabo, erva-moira-mortal.
English name: Black nightshade.

Também chamada de «morela» e muitas vezes confundida com a sua parente próxima, a erva-moura-furiosa, esta solanácea, habitante dos baldios, dos matagais e das clareiras dos bosques, pode, no entanto, revelar-se igualmente tóxica, consoante os terrenos onde cresce, ou, pelo contrário, tornar-se agradavelmente nutritiva.

Identificação: A erva-moura é uma espécie sub-arbustiva que renova as suas partes aéreas anual ou bianualmente. Apresenta folhas alternas, ovadas ou rombóides, peninérveas, glaucas a verde-escuras, de margem irregular e providas de pecíolo. As flores, pequenas e brancas, pentâmeras, brotam em cimeiras pouco densas. O androceu é composto por cinco estames de anteras amarelas concrescidas ao estilete, como é próprio das Solanáceas. O fruto é uma baga negra.

Tipo Fisionómico: Caméfito.

Distribuição: Cosmopolita.

Habitat: Ruderais, matos, orlas de florestas, ruínas, campos cerealíferos, margens de caminhos e de rios. Indiferente edáfica.

Floração: Abril-Novembro.

Princípios activos: Alcalóides tóxicos, proteínas, hidratos de carbono, lípidos, açúcares, fibra, vitaminas B1, B2, B6 e C, potássio, sódio, magnésio, ferro, zinco e fósforo.

Propriedades: Tóxica, ligeiramente narcótica, nutritiva, sedativa, analgésica, antiespasmódica, diaforética, emoliente, purgativa, anti-tússica, anti-séptica e cardiotónica.

Partes usadas: Folhas, caules, flores e frutos.

Usos: Embora tóxica, é cultivada como alimento em diversas partes do mundo, isto porque a sua toxicidade varia muito. As suas bagas maduras são nutritivas e podem ser usadas no fabrico de compotas. Quando cozinhados, tantos os frutos como as folhas perdem grande parte do seu potencial tóxico. As bagas decoctadas são empregues como anti-tússico e anti-malária. A decocção das folhas, dos caules e das flores é utilizada em casos de náuseas, vómitos, febre, dores de dentes, tumores e tuberculose. Usada externamente, quer em decocção, quer em tintura ou emplastro, é indicada para cancro de pele, particularmente o melanoma, erupções cutâneas, psoríase, feridas, eripsela, etc. O extracto de erva-moira é antiespasmódico e vasodilatador.

Curiosidades: A erva-moira é um excelente desintoxicante de solos, e o seu cultivo pode ser usado para preparar e enriquecer terrenos em pousio. Este factor, somado às características edáficas de cada região, talvez explique por que motivo esta planta apresenta um nível de toxicidade tão variável, podendo ir do considerado «venenoso» até ao perfeitamente comestível. Em diversas culturas, entre elas as do Médio Oriente, a erva-moura é cultivada a par do tomate, e os seus frutos são consumidos crus em saladas.

Em território português, e em grande parte da Europa ocidental, a erva-moura tem de ser cozinhada antes de qualquer uso que se lhe possa dar, com excepção de tinturas para uso externo.

O seu valor como alucinogénio é relativo e não muito intenso; porém, em tempos foi utilizada por videntes como enteógeno, permitindo-lhes visionar o passado e o futuro através de um fluxo imagético. Neste aspecto, as suas propriedades não diferem muito das da erva-moura-furiosa (beladona), usada na Idade Média como facilitadora do parto.

Segundo o médico renascentista Jean de Nynault, a erva-moura fazia parte de um tipo de unguentos destinados a criar sonhos agradáveis.  

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Verónica (Veronica persica L.)

Espécie: Veronica persica L. Divisão: Magnoliophytas Classe: Magnoliopsidas Ordem: Scriphulariales Família: Scrophulariaceae Sinonímia: Não encontrada. Nomes vulgares: Verónica. English name: Field speedwell

Espécie: Veronica persica L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Scriphulariales
Família: Scrophulariaceae
Sinonímia: Não encontrada.
Nomes vulgares: Verónica.
English name: Field speedwell

Pode até possuir múltiplos rostos, mas o seu carácter é constante.

Identificação: Integrada por alguns autores na família das Plantagináceas, esta é uma herbácea de crescimento semi-prostrado, ligeiramente vilosa, de folhas lobadas/serradas, alternas e agrupadas em cimeiras de onde desponta a flor, de quatro pétalas, azul e branca, listada verticalmente de azul mais escuro..

Tipo Fisionómico: Terófito.

Distribuição: Europa mediterrânica, Norte de África e Macaronésia.

Habitat: Locais húmidos e soalheiros, prados, lameiros, cursos de água.

Floração: Todo o ano.

Princípios activos: Flavonóides, vitamina C, ferro e magnésio.

Propriedades: Comestível e anti-hemorrágica.

Partes usadas: Folhas.

Usos: Prescrita em casos de dismenorreia. As folhas e os rebentos jovens podem ser consumidos crus ou cozinhados, embora tenham um gosto amargo.

Curiosidades: Talvez seja a planta com maior número de espécies, cerca de 1107!

Em épocas de escassez, várias espécies de Veronica foram usadas na alimentação.

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