Verónica (Veronica persica L.)

Espécie: Veronica persica L. Divisão: Magnoliophytas Classe: Magnoliopsidas Ordem: Scriphulariales Família: Scrophulariaceae Sinonímia: Não encontrada. Nomes vulgares: Verónica. English name: Field speedwell

Espécie: Veronica persica L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Scriphulariales
Família: Scrophulariaceae
Sinonímia: Não encontrada.
Nomes vulgares: Verónica.
English name: Field speedwell

Pode até possuir múltiplos rostos, mas o seu carácter é constante.

Identificação: Integrada por alguns autores na família das Plantagináceas, esta é uma herbácea de crescimento semi-prostrado, ligeiramente vilosa, de folhas lobadas/serradas, alternas e agrupadas em cimeiras de onde desponta a flor, de quatro pétalas, azul e branca, listada verticalmente de azul mais escuro..

Tipo Fisionómico: Terófito.

Distribuição: Europa mediterrânica, Norte de África e Macaronésia.

Habitat: Locais húmidos e soalheiros, prados, lameiros, cursos de água.

Floração: Todo o ano.

Princípios activos: Flavonóides, vitamina C, ferro e magnésio.

Propriedades: Comestível e anti-hemorrágica.

Partes usadas: Folhas.

Usos: Prescrita em casos de dismenorreia. As folhas e os rebentos jovens podem ser consumidos crus ou cozinhados, embora tenham um gosto amargo.

Curiosidades: Talvez seja a planta com maior número de espécies, cerca de 1107!

Em épocas de escassez, várias espécies de Veronica foram usadas na alimentação.

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Verbasco (Verbascum sinuatum L.)

Espécie: Verbascum sinuatum L. Divisão: Magnoliphytas Classe: Magnoliopsidas Ordem: Lamiales Família: Scrofulariaceae Sinonímia: Não encontrada. Nomes comuns: Verbasco, verbasco-ondeado, cachapeiro. English name: wavyleaf mullein.

Espécie: Verbascum sinuatum L.
Divisão: Magnoliphytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Lamiales
Família: Scrofulariaceae
Sinonímia: Não encontrada.
Nomes comuns: Verbasco, verbasco-ondeado, cachapeiro.
English name: wavyleaf mullein.

Uma planta bem conhecida da medicina popular desde longa data…

Identificação: Herbácea bianual, de crescimento erecto, que pode chegar a atingir cerca de 1.50 m de altura. Pubescente, apresenta folhas alternas e cresce a partir de uma roseta de folhas basais, acinzentadas, tomentosas, espatuladas/lanceoladas e de margem crenada/dentada e ondulada, o que as torna num diferencial a ter em conta. As flores surgem em panícula muito aberta e ramificada, de hastes finas e ascendentes ou ligeiramente vergadas. Cada fascículo comporta entre duas a sete flores, bracteadas, de corola amarela, de cinco pétalas desiguais, manchadas de púrpura da zona proximal e unidas na base. Os estames acham-se cobertos por uma vilosidade rosada. O fruto é uma cápsula mucronada. 

Tipo fisionómico: Hemicriptófito.

Distribuição: Sul da Europa.

Habitat: Ruderais, campos incultos, bermas dos caminhos.

Floração: Maio/Julho.

Princípios activos: Saponinas triterpénicas, carotenóides, flavonóides, taninos, óleo essencial, harpagósido.

Propriedades: Vermífuga, dermoprotectora, vulnerária, expectorante, balsâmica, aromática e anti-inflamatória.

Partes usadas: Folhas, flores e óleo essencial.

Usos: Em infusão, as flores são utilizadas para alívio da tosse e da asma. Aplicada no tratamento da faringite e como vermífugo. O óleo é usado como protector solar. A decocção das folhas e das flores é utilizada para lavar feridas, dada a sua propriedade vulnerária.

Curiosidades: Para além de ser apreciado como planta ornamental, o verbasco é usado para aromatizar tabaco, assim como repelente de insectos, em particular das traças.  

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Erva-do-mau-olhado (Scrophularia scorodonia L.)

flora silvestre

Espécie: Scrophularia scorodonia L.
Divisão: Magnoliphytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Lamiales
Família: Scrophulariaceae
Sinonímia: Scrophularia scorodonia L. ssp. scorodonia; Scrophularia scorodonia L. ssp. multiflora (Lange) Franco.
Nome comum: Escrofulária, erva-do-mau-olhado, erva-de-são-pedro.
English names: Figwort.

Também chamada de escrofulária, a erva-do-mau-olhado fica a dever esta misteriosa alcunha ao facto de tratar com eficácia uma grande variedade de maleitas, sobretudo as que em tempos eram atribuídas às artes obscuras da feitiçaria.

Mitos à parte, estamos perante uma das mais importantes ervas terapêuticas que podemos encontrar na Península de Lisboa.

Identificação: Na época de floração, esta planta é facilmente identificável através das suas flores exíguas, globosas, de tom rosado ou vermelho-escuro, labiadas e dispostas em cachos que podem atingir cerca de 70 cm de altura, muitas vezes prostrados. Fora da época de floração, as suas folhas verde-escuras, serradas e lanceoladas, podem fazê-la passar por uma lamiácea, como a nêveda-dos-gatos ou a erva-cidreira. Os seus caules apresentam secção quadrangular e alguma vilosidade. Os seus frutos são ovóides.

Tipo Fisionómico: Caméfito.

Distribuição: Europa, Ásia e América do Norte. Parece ter tido como origem a Ásia.

Habitat: Surge em matagais, florestas, ruderais, campos incultos e cultivados. Ripícola.

Floração: Verão.

Princípios activos: Glycoterpenoide, iridóides, verbasco-saponina A, hesperidina, diosmina (flavonóide) e ácidos fenólicos.

Propriedades: Anti-inflamatória, diurética, laxante, venotónica, estimulante cardíaca e analgésica.

Partes usadas: Planta completa, mas sobretudo as raízes.

Usos: Muito usada na medicina tradicional chinesa para o tratamento da artrite reumatóide e problemas urinários (micção dolorosa). Em tempos utilizada no Ocidente no tratamento de tumores linfáticos e do hemorroidal (sob a forma de unguento). Pode ser usada como substituta da cortisona em casos de psoríase e eczema, erupções cutâneas, entre outros. O uso interno (tintura ou infusão) deve ser evitado por quem sofra de taquicardia.

Curiosidades: O nome “escrofulária” deriva de scrofula, tuberculose dos gânglios linfáticos, doença contra a qual esta planta foi muito usada em finais do século XVIII.

Os Romanos usavam um unguento à base de erva-do-mau-olhado no tratamento do hemorroidal.

A espécie terapêutica mais utilizada é a S. nodosa.

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Dedaleira (Digitalis purpurea ssp. purpurea L.)

flora silvestre

Espécie: Digitalis purpurea ssp. purpurea L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Lamiales
Família: Scrophulariaceae
Sinonímia: Digitalis minor L.
Nomes comuns: Dedaleira, beloura, abeloura, abelouro, abeloira, beloira, digital, luvas-de-nossa-senhora, luvas-de-santa-maria, enchoque, estoira-fóis, bocas-de-sapo, folha-de-raposa, estraques, teijeira (na ilha da Madeira), matruca, maia, nenas, erva-dedeira, estalo, calças-de-cuco, caçapeiro, abelouro-vermelho, caralhotas, chapoto, etc.
English names: Foxglove, fairy thimbles.

Extraordinariamente bela e proporcionalmente cardiotónica… ou cardiotóxica, dependendo do uso, curativo ou assassino, que se lhe queira dar…

Identificação: Por vezes integrada na família das Plantagináceas, a dedaleira é uma herbácea plurianual, de raiz muito clara e crescimento erecto até cerca de 1.90m. Desenvolve-se a partir de uma roseta de folhas basais pubescentes, longas e oblanceoladas, suportadas por longos pecíolos e com uma nervura central bem demarcada. Nas folhas caulinares os pecíolos vão diminuindo de tamanho até à inflorescência terminal, onde já se apresentam sésseis. As inflorescências, em forma de rácimo unilateral, são densas e compostas por flores campanuladas, de cerca de 6 cm de comprimento, que abrem à medida que o rácimo vai crescendo. As cores variam consoante as espécies, podendo ser branco-amareladas, esverdeadas ou de um tom rosa-vivo, como no caso concreto da espécie aqui monografada, com pequenas manchas brancas com pontos acastanhados. As campânulas são ligeiramente pubescentes no seu interior. O fruto é uma cápsula ovóide e septicida.

Na Península de Lisboa, a dedaleira é mais comum na Serra de Sintra e a norte desta, no Concelho de Mafra, onde os solos são mais ácidos, profundos e siliciosos.

Tipo fisionómico: Hemicriptófito.

Distribuição: Europa, com excepção da Escandinávia e da Rússia.

Habitat: Com preferência por solos siliciosos e um pouco ácidos, encontramo-la nas orlas e nas clareiras dos bosques, por vezes nas margens dos caminhos.

Floração: Abril-Setembro.

Princípios activos: Glucósidos cardíacos (lanatósidos, digoxina, digitoxina e digitalina), flavonóides e saponinas.

Propriedades: Letalmente tóxica. As folhas colhidas durante o segundo ano de vida da planta possuem maior actividade terapêutica. São cardiotónicas e diuréticas.

Partes usadas: Planta completa.

Usos: Em infusão é usada para problemas renais e cardíacos. A dose terapêutica varia muito consoante a função e o peso do indivíduo, andado, por isso, muito próxima da letal. Três flores são o suficiente para desencadear a morte. Não pode ser usada sem supervisão de um médico herbalista. Em doses correctas, trata problemas cardíacos e melhora muito o funcionamento renal. Sob o efeito da digitalina, o coração desacelera e torna-se mais forte. Quando a dose terapêutica é ultrapassada, o ritmo cardíaco aumenta até à síncope, fazendo acompanhar-se de náuseas fortes e vertigens.

Empregue pela medicina alopática e usada como tintureira. As flores fornecem um pigmento verde-vivo.

A espécie D. lanata, de tom amarelo-claro, é mais activa que a espécie D. purpurea. O extracto da planta completa é menos nocivo que as suas folhas ou flores usadas individualmente.  

Curiosidades: Nomear a Natureza faz parte das funções do Homem. Quando uma planta não tem qualquer nome popular que a especifique, é de lamentar, pois significa que tem passado despercebida ou tem sido rejeitada. Tal não é certamente a situação da dedaleira, que decora exuberantemente as paisagens pautadas pela esteva e pelas gramíneas, nas clareiras e bordaduras dos bosques, e talvez por isso em Portugal lhe sejam atribuídos perto de cinquenta nomes populares.

E quando se trata de um planta com tantas nomeações, não é de espantar que seja igualmente acompanhada por outras tantas superstições. Na Irlanda, por exemplo, onde é considerada pertença do Povo das Fadas, há quem tema a sua presença no quintal e mais ainda em casa. A foxglove, «luva de raposa», muitas vezes é chamada de folksglove, «luva do povo (das fadas)», trocadilho que exprime bem o temor e o fascínio que esta planta provoca.

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Bocas-de-lobo (Misopates calycinum (Vent.) Rothm.)

flora silvestre

Espécie: Misopates calycinum (Vent.) Rothm.
Divisão: Magnoliphytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Lamiales
Família: Scrofulariaceae
Sinonímia: Antirrhinum orontium ssp. calycinum (Vent.) Nyman.
Nome comum: Bocas-de-lobo, samacalo, focinho-de-coelho, focinho-de-doninha.
English names: Pale weasel’s-snout.

Esta famosa escrofulariácea não fica atrás das espécies híbridas cultivadas em jardins. São, antes, o seu estado mais belo e puro.

Identificação: Herbácea anual, de crescimento erecto/ramificado, que pode chegar ao 90 cm de altura. Totalmente glabra com excepção da inflorescência, ligeiramente pubescente. Apresenta folhas lineares-lanceoladas, obtusas e pouco pecioladas. As flores, brancas e zigomórficas, formam uma espiga pouco compacta (2 a 12), com brácteas lineares e lábio inferior pautado por veios purpúreos. O fruto é uma cápsula.  

Tipo Fisionómico: Terófito.

Distribuição: Europa,

Habitat: Surge em matos, bordaduras de bosques, ruderais sombrios. Também ripícola.

Floração: Abril-Junho.

Princípios activos: Cianidina.

Propriedades: Carecem de estudo.

Partes usadas: Flores.

Usos: Apenas lhe é dado uso ornamental.

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Chagas (Tropaelum majus L.)

flora silvestre

Espécie: Tropaelum majus L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Brassicales
Família: Tropaeoláceas
Sinonímia: Cardamindum majus (L.) Moench
Nasturtium indicum Garsault
Tropaeolum elatum Salisb.
Tropaeolum hortense Sparre
Tropaeolum hybridum L.
Tropaeolum pinnatum Andrews
Tropaeolum quinquelobum Bergius
Trophaeum majus (L.) Kuntze
Nomes comuns: Mastruço-do-perú, papagaios (Açores), chagas, capuchinhas, flor-de-pavão (Brasil).
English Name: Garden nasturtium, Indian cress, monks cress.

No século XVI, os conquistadores espanhóis, que invadiram violentamente o grande império Inca do Tahuantisuio, trouxeram para a Europa as sementes desta útil e bela trepadeira, juntamente com o ouro do resgate de Atahualpa, filho do muito prestigiado sapa inca Huaina Capac.

Identificação: Planta trepadora, de folhas verde-claras, grandes, largas, arredondadas, por vezes manchadas de branco esverdeado, e palminérveas. Flores orbiculares, solitárias, grandes, cuja coloração varia entre o amarelo e o vermelho-escuro. O fruto é um elatério.

Distribuição: Oriunda do Peru, encontra-se distribuída ao longo da costa ibérica.

Floração: Março/Outubro

Princípios activos: Glicotropaeolina, glicósido.

Partes usadas: Folhas e flores.

Usos: Antibiótico, infecções do aparelho urinário. Também usado no tratamento de problemas respiratórios. Externamente, sob a forma de tintura, é empregue no caso de erupções da pele e como anti-séptico para feridas. As suas sementes, reduzidas a pó misturado com mel, constituem um laxante eficaz que não provoca cólicas.   

Curiosidades: De sabor picante, as folhas e as flores são muito usadas em saladas. Em Espanha, os frutos são usados em substituição das alcaparras, bem como as flores, conservadas em vinagre.

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Verbena (Verbena officinalis L.)

flora silvestre

Espécie: Verbena officinalis L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Lamiales
Família: Verbenaceae
Sinonímia: Não encontrada.
Nomes comuns: Verbena, ulgebrão, gervão, erva-dos-leprosos, erva-sagrada, algebrado, etc.. No Brasil é conhecida também por erva-do-fígado.
English name: Vervain.

Dedicada a Vénus, cresce sob a protecção do Sol e das deidades ctónicas, que a tornam imune às artes demoníacas do Invisível e aos males desde mundo…

Identificação: Herbácea de aproximadamente 70 cm de altura, glabrescente ou ligeiramente vilosa, sobretudo a nível da inflorescência e da página inferior das folhas. Apresenta um caule erecto e tendencialmente ramificado, marcado por sulcos longitudinais. As folhas, não muito grandes, são sésseis, rugosas, de limbo quadriculado, inciso-serradas ou penatifendidas. As flores, brancas ou rosadas, pentâmeras, de pétalas unidas na base, são frequentemente exíguas e dispostas em espigas rosadas axiais e terminais. O fruto é uma cápsula com quatro sementes.  

Tipo fisionómico: Caméfito.

Distribuição: Europa, sobretudo no sul. Cultivada em diversas partes do mundo.

Habitat: Terrenos húmidos e soalheiros, ruderais, orlas dos bosques.

Floração: Junho-Dezembro.

Princípios activos: Verbenalósido, do qual se obtém o mais importante dos seus princípios activos, a verbenalina, bem como verbenalol e hastatósido. Contém ainda taninos, mucilagem, saponinas, glicósidos, ácidos salicílico e caféico, princípio amargo e óleo essencial composto por geraniol, citrol, terpenos e alcalóides terpénicos.   

Propriedades: Sedativa, antidepressiva, vasodilatadora renal, anti-tússica, vulnerária, antiespasmódica, anti-séptica, relaxante muscular, neuro-tónica, adstringente, anti-reumatismal, anti-inflamatória, digestiva, galactagoga, anti-anémica, emética, emanagoga, tónica uterina, contraceptiva, dermatológica e aromática.

Partes usadas: Toda a planta.

Usos: Como sedativa é empregue em casos de enxaqueca e insónia. Em infusão vinho ou xarope é usada no tratamento da depressão, transtornos gástricos, hepáticos e renais, dismenorreia, amenorreia, problemas do foro respiratório e como facilitadora do parto, não devendo por isso ser tomada por mulheres grávidas. A raiz é particularmente adstringente e usada no tratamento de diarreias.

Sob a forma de emplastros é aplicada em áreas afectadas pelo reumático. Em tinturas, loções e cremes é usada como cicatrizante de feridas, psoríase, acne, dermatites, queimaduras e inflamações orofaríngicas e oculares. É de registar ainda a sua actividade anti-tumoral e contraceptiva, esta última de acordo com a medicina tradicional chinesa.

Na terapia com Florais de Bach, vamos encontrá-la associada ao tratamento da depressão, do stress, da tensão, do fanatismo e do idealismo excessivo.  

Muito procurada pela indústria cosmética e perfumeira.

Na Idade Média era empregue no tratamento da lepra.

Não pode ser tomada por quem sofra de hipotiroidismo, uma vez que reduz a actividade da tiróide.    

Curiosidades: Os Romanos chamavam-lhe «erva-santa», nome que ainda hoje é utilizado para designá-la; os Cristãos continuaram a chamar-lhe erva-sagrada e percebe-se bem porquê. O seu valor místico não fica atrás do medicinal. Consagrada a Isis e a Vénus, com esta planta extraordinária fabricavam-se poções do amor e diversos outros filtros mágicos.

«Ambas as espécies são usadas pelos gauleses como forma de adivinhação e para lançar profecias, e os Magi (os druidas) fazem afirmações loucas acerca da planta: as pessoas que são esfregadas nela obtêm os seus desejos, banem as suas febres, ganham amigos e curam todas as doenças sem excepção.

Eles acrescentam que ela deve ser apanhada na altura do nascer da Estrela do Cão sem que a sua acção seja vista pela Lua ou pelo Sol; e que antes de ser colhida deverá ser feita uma oferenda de mel e de favo de mel à terra; que um círculo deve ser desenhado com ferro em torno da planta e então ela deve ser puxada para cima com a mão esquerda e erguida ao alto; que as folhas, caule e raízes devem ir a secar separadamente à sombra.»

Plínio, o Velho.

No mundo antigo, era uma erva sacerdotal, empregue em rituais religiosos de intento propiciatório. A sua colheita, como a de qualquer outra planta mágica, não podia ser feita em qualquer altura, como o refere Plínio, para além de ser necessário esperar pela sua floração. Tratando-se de uma espécie regida pelas entidades invisíveis ligadas à terra e sob a égide solar, no Egipto a verbena devia ser colhida assim que Sírios (Sótis), estrela alfa da constelação de Cão Maior, surgisse no horizonte, altura coincidente com o início da estação das cheias do Nilo (Akhet, Julho). Costume semelhante, embora não de cariz sotiático, encontramos entre os povos célticos. Seguindo a tradição medieva, a colheita da verbena era levada a cabo ao fim da tarde, à hora das fadas, de um dia muito luminoso, de preferência umas horas antes da lua cheia de Julho. Na tradição cristã, a colheita deve ser realizada em noite de São João.

Os mitos célticos colocam-na no patamar das ervas que nenhum mal, físico ou astral, pode atingir, ao lado de outras como a vinca, o hipericão, o milefólio, a eufrásia e a malva (Briggs, 1967).

As crenças em torno da verbena são sem dúvida maiores que ela própria. Entre outras coisas, acreditava-se que, juntamente com sementes de peónia, poderia ser cura para a epilepsia e outros males atribuídos à acção de forças demoníacas, que só estas plantas tinham o poder de banir.

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Lantanas (Lantana spp.)

plantas de jardim

Espécie: Lantana montevidensis
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Lamiales
Família: Verbenaceae
Sinonímia: Não encontrada.
Nomes comuns: Lantana, lantana montevidensis, lantana lilás.
English name: Spanish flag.

Muito semelhante à sua congénere Lantana câmara L., a Lantana montevidensis cresce, todavia, apenas cerca de 40 cm, prostradamente. O hibridismo ocorre com muita frequência, originado uma paleta de cores que não passa despercebida.

Identificação: Planta arbustiva que cresce cerca de 40/60 cm com tendência a prostrar-se. As folhas verde-escuras de margem dentada (dentes arredondados), espessas, pubescentes e ásperas, detêm um aroma muito semelhante ao do limão. Pequenas flores lilases e tubulares, agrupadas em núcleos de cerca de 3,5 cm de diâmetro. Pétalas unidas formando uma flor tetralobada.

Tipo fisionómico: Microfanerófito.

Distribuição: Nativa da América do Sul, encontra-se por toda a Europa.

Habitat: Por vezes escapa ao cultivo em jardins. Terrenos com boa exposição solar aumentarão o número de flores.

Floração: Quase todo o ano com excepção dos meses mais frios.

Espécie: Lantana camara L. Divisão: Magnoliophytas Classe: Magnoliopsidas Ordem: Lamiales Família: Verbenaceae Sinonímia: Lantana aculeata L. Nomes comuns: Lantana. English name: Spanish flag.

Espécie: Lantana camara L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Lamiales
Família: Verbenaceae
Sinonímia: Lantana aculeata L.
Nomes comuns: Lantana.
English name: Spanish flag.

Princípios activos: Hidrocarbonetos, triterpenos.

Propriedades: Dermatológicas.

Partes usadas: Toda a planta.

Usos: Decorativa. Uso externo em eczemas e dermatites (tintura e loção).

Curiosidades: Trata-se de uma planta tóxica, pelo que o seu uso interno é desaconselhado.

Ao contrário da maioria das plantas desta família, as lantanas não possuem um perfume muito agradável. Apesar disto, são as que encontramos com maior frequência em jardins, dos quais escapam sempre que podem.

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Tanchagem-menor (Plantago lagopus L.)

flora silvestre

Espécie: Plantago lagopus L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Plantaginales
Família: Plantagináceas
Sinonímia: Não encontrada.
Nomes comuns: Tanchagem, orelha-de-lebre, língua-de-ovelha, erva-da-mosca, tanchagem-pata-de-lebre, olho-de-cabra, carrajó, tanchagem-das-boticas, calracho, chinchagem, tanchagem-menor, chantege, tanchagem-ordinária, tanchagem-terrestre.
English name: Plantain.

A tanchagem já gozou de maior consideração no passado devido às suas propriedades medicinais. Actualmente passa muito despercebida nas margens dos caminhos e entre as demais ervas do campo. Melhor seria que em vez de a pisarmos nos passeios, nos inclinássemos sobre ela e a reverenciássemos.

Identificação: Apresenta caules muito finos, não crescendo mais do que uns 40 cm. De folhas ovaladas, grandes e um pouco espessas, o que contrasta com o caule. Inflorescência em forma de espiga, algo que a distingue. Na Vila de Parede foi igualmente identificada a sua congénere P. lanceolata, de espigas maiores, de ápice mais agudo, e folhas também maiores.

Tipo Fisionómico: Terófito/ hemicriptófito.

Distribuição: Europa/Ásia.

Habitat: Campos, ao longo dos caminhos, terrenos baldios, lameiros.

Floração: Maio/Outubro.

Princípios activos: taninos, flavonóides (apigenina), mucilagem, glicosídeos, ácido silício, ácido palmítico, ácido esteárico, ácido oleico, vitamina C, vitamina K, betacaroteno, aldeídos.

Propriedades: Anti-bacteriana, antibiótica, calmante, oftálmica, febrífuga, expectorante, cicatrizante, anti-tússica e drenante.

Partes usadas: Folhas, raízes e cápsulas.

Usos: A infusão de tanchagem possui propriedades anti-bacterianas. As sementes só devem ser colhidas em Agosto quando as espigas se apresentam totalmente castanhas. As folhas devem ser colhidas logo no Solstício de Verão e postas a secar à sombra. Uso tópico-cutâneo, tópico-ocular e descongestionante. Também empregue em mordeduras de serpente e como forragem. As folhas esmagadas são usadas directamente sobre feridas e varizes. Suavizante intestinal em casos de gastrite e prisão de ventre. Utiliza-se sob a forma de tinturas, infusões e emplastros. As sementes podem ser farinadas e adicionadas a outras farinhas.

Curiosidades: A tanchagem-menor é em tudo semelhante à tanchagem-maior, são ervas irmãs. Uma antiga lenda refere que esta planta foi em tempos uma jovem mulher que de tanto esperar o seu amado se transformou num vegetal.

Dela obtém-se um pigmento amarelo-dourado que pode ser usado em tinturaria.

As suas sementes acalmam as aves canoras.

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Trovisco (Daphne gnidium L.)

flora silvestre

Espécie: Daphne gnidium L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Malvales
Família: Thymelaeaceae
Sinonímia: Daphne gnidium L. for. Latifolia P. Cout.; Daphne gnidium L. for. Vulgaris P. Cout.; Daphne gnidium L. var. maritima Rozeira.
Nomes vulgares: Trovisco, erva-de-joão-pires, gorreiro, lauréola-macha, mezereão-menor, matapulgas.
English name: Flax-leaved daphne.

Foi em tempos mulher, uma jovem ninfa por quem Apolo se apaixonou. Hoje é um arbusto a perigar na bordadura da extinção…

Identificação: Arbusto de folhagem persistente, que atinge cerca de 2 metros de altura. Identificável através das folhas, oblanceoladas, estreitas e acuminadas, algo coriáceas, dispostas alternadamente em redor dos ramos, dando a impressão de formarem verticilos. As flores são sésseis, claras e desprovidas de pétalas, e brotam em corimbos terminais densos (dez a sessenta flores), que ao longo da maturação adquirem um aspecto de panícula, surgindo também nas axilas das folhas. Possuem quatro sépalas petalóides e oito estames. Os frutos, monospérmicos, são bagas vermelhas/alaranjadas, que se tornam arroxeadas quando maduras.

Tipo Fisionómico: Nanofanerófito.

Distribuição: Europa, principalmente na bacia do Mediterrâneo e Macaronésia.

Habitat: Devemos sobretudo procura-lo nas orlas dos bosques, mas também em matagais parcialmente sombrios e cursos de água.

Floração: Junho-Outubro.

Princípios activos: Daphnetoxina e um esteróide diterpénico.  

Propriedades: Tóxica, anti-inflamatória, tintureira, anti-cancerígena, insecticida, icticida, emética, purgativa, vulnerária e abortiva.

Partes usadas: Ritidoma da casca e folhas.

Usos: Em doses mínimas, o ritidoma da casca tem um efeito anti-inflamatório e laxante. Todavia, o uso interno é desaconselhado por se tratar de uma planta altamente tóxica. Quanto ao uso externo, o trovisco conta com um longo historial na área da cosmética. Na Idade Média, e até há pelo menos um século, a infusão ou maceração das folhas desta planta era utilizada pelas mulheres para disfarçarem os cabelos brancos. O ritidoma, macerado em vinagre durante uma hora, foi em tempos usado na desinfecção de feridas, dado o seu aspecto cicatrizante, segundo refere Manuel Pereira-Caldas (1901) na sua Flora Médica da Ribeira de Vizela (Suplemento de Arqueologia Ano 11, nº 72, Revista Municipal de Lousada). Ainda de acordo com este autor, as folhas eram em tempos utilizadas no tratamento da escrófula e da sífilis, pela sua acção depurativa.

O contacto directo com a seiva desta planta pode desencadear dermatites. A sua ingestão em doses superiores a um grama pode causar a morte em poucas horas. Devido precisamente à sua elevada toxicidade, as decocções de trovisco eram aplicadas contra piolhos, pulgas, carraças, lêndeas e tinha. A mesma revista acima citada, refere a sua utilização como arte de pesca, costume medieval que tinha lugar no rio Sousa, na região de Lousada, relatado nas Inquirições Afonsinas (de 1220 a 1258), e que ainda hoje encontramos entre os mais diversos povos, nomeadamente ameríndios, ainda que por meio de outras plantas. A «entroviscada», convocada pelo mordomo do rei, consistia na preparação do trovisco, muitas vezes em conjunto com o perrexil, para ser lançado à água em determinadas zonas do rio, onde se sabia haver maior abundância de peixe. Por outro lado, esta prática milenar também originava escassez nos rios, visto que não apenas atordoava o peixe como também matava os seus ovos, quando os havia. Por esta razão, esta arte de pesca, obrigatória na Idade Média, foi proibida na década de ‘70 do passado século.  

Mais recentemente, as suas recém-descobertas propriedades anti-cancerígenas têm vindo a ser investigadas como potenciais fármacos a serem usados no tratamento da leucemia.     

Curiosidades: Crê-se que a poderosa seiva desta planta, conjuntamente com heléboro, entrasse na composição de um veneno letal, com o qual se untavam as pontas das flechas na Antiguidade e na Idade Média. Também da sua madeira se faziam amuletos contra todo um rol de superstições, dado serem-lhe atribuídas propriedades mágico-religiosas, ou não estivéssemos nós a falar da uma mulher convertida em arbusto por um deus do Olimpo.

Daphne era uma ninfa por quem Apolo se apaixonou e dele fugiu. Em busca de refúgio, a jovem pediu a Zeus que a transformasse num arbusto, num loureiro, ou, noutras versões, num trovisco (Daphne gnidium), sendo que «gnidium» advém de «Cnidos», antiga cidade grega localizada na costa da actual Turquia. Numa outra versão do mito, Daphne era filha do rio Ládon, ou do rio Peneu da Tessália, e da Terra. Ao ver-se perseguida por Apolo, implorou ao rio, seu pai, que a escondesse. Ládon transformou-a, então, num loureiro, o emblemático arbusto consagrado àquele deus. Não deixa de ser curiosa esta associação entre a Terra e o Rio do mito clássico e a planta em si, quer esta seja o trovisco ou o seu parente loureiro, arbustos que encontramos frequentemente nas margens de cursos de água ou nas bordaduras semi-sombrias dos bosques, facto que muito terá contribuído para a sua mitificação.

Em fitossociologia, o trovisco encontra-se frequentemente associado ao carvalho-alvarinho, tal como se verifica também aqui, na Vila da Parede.

Os incêndios florestais, a somar ao derrube de florestas endémicas em favor das gananciosas plantações de eucalipto pela indústria do papel, tem levado ao recuo do habitat do trovisco, colocando esta espécie em perigo de extinção no território nacional. Na vila foram identificados dois exemplares que urge conservar, um localizado num terreno baldio na Rua Almada Negreiros e outro na Estrada Militar.

O exemplar da Rua Almada Negreiros foi ontem cortado… 

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