Dedaleira (Digitalis purpurea ssp. purpurea L.)

flora silvestre

Espécie: Digitalis purpurea ssp. purpurea L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Lamiales
Família: Scrophulariaceae
Sinonímia: Digitalis minor L.
Nomes comuns: Dedaleira, beloura, abeloura, abelouro, abeloira, beloira, digital, luvas-de-nossa-senhora, luvas-de-santa-maria, enchoque, estoira-fóis, bocas-de-sapo, folha-de-raposa, estraques, teijeira (na ilha da Madeira), matruca, maia, nenas, erva-dedeira, estalo, calças-de-cuco, caçapeiro, abelouro-vermelho, caralhotas, chapoto, etc.
English names: Foxglove, fairy thimbles.

Extraordinariamente bela e proporcionalmente cardiotónica… ou cardiotóxica, dependendo do uso, curativo ou assassino, que se lhe queira dar…

Identificação: Por vezes integrada na família das Plantagináceas, a dedaleira é uma herbácea plurianual, de raiz muito clara e crescimento erecto até cerca de 1.90m. Desenvolve-se a partir de uma roseta de folhas basais pubescentes, longas e oblanceoladas, suportadas por longos pecíolos e com uma nervura central bem demarcada. Nas folhas caulinares os pecíolos vão diminuindo de tamanho até à inflorescência terminal, onde já se apresentam sésseis. As inflorescências, em forma de rácimo unilateral, são densas e compostas por flores campanuladas, de cerca de 6 cm de comprimento, que abrem à medida que o rácimo vai crescendo. As cores variam consoante as espécies, podendo ser branco-amareladas, esverdeadas ou de um tom rosa-vivo, como no caso concreto da espécie aqui monografada, com pequenas manchas brancas com pontos acastanhados. As campânulas são ligeiramente pubescentes no seu interior. O fruto é uma cápsula ovóide e septicida.

Na Península de Lisboa, a dedaleira é mais comum na Serra de Sintra e a norte desta, no Concelho de Mafra, onde os solos são mais ácidos, profundos e siliciosos.

Tipo fisionómico: Hemicriptófito.

Distribuição: Europa, com excepção da Escandinávia e da Rússia.

Habitat: Com preferência por solos siliciosos e um pouco ácidos, encontramo-la nas orlas e nas clareiras dos bosques, por vezes nas margens dos caminhos.

Floração: Abril-Setembro.

Princípios activos: Glucósidos cardíacos (lanatósidos, digoxina, digitoxina e digitalina), flavonóides e saponinas.

Propriedades: Letalmente tóxica. As folhas colhidas durante o segundo ano de vida da planta possuem maior actividade terapêutica. São cardiotónicas e diuréticas.

Partes usadas: Planta completa.

Usos: Em infusão é usada para problemas renais e cardíacos. A dose terapêutica varia muito consoante a função e o peso do indivíduo, andado, por isso, muito próxima da letal. Três flores são o suficiente para desencadear a morte. Não pode ser usada sem supervisão de um médico herbalista. Em doses correctas, trata problemas cardíacos e melhora muito o funcionamento renal. Sob o efeito da digitalina, o coração desacelera e torna-se mais forte. Quando a dose terapêutica é ultrapassada, o ritmo cardíaco aumenta até à síncope, fazendo acompanhar-se de náuseas fortes e vertigens.

Empregue pela medicina alopática e usada como tintureira. As flores fornecem um pigmento verde-vivo.

A espécie D. lanata, de tom amarelo-claro, é mais activa que a espécie D. purpurea. O extracto da planta completa é menos nocivo que as suas folhas ou flores usadas individualmente.  

Curiosidades: Nomear a Natureza faz parte das funções do Homem. Quando uma planta não tem qualquer nome popular que a especifique, é de lamentar, pois significa que tem passado despercebida ou tem sido rejeitada. Tal não é certamente a situação da dedaleira, que decora exuberantemente as paisagens pautadas pela esteva e pelas gramíneas, nas clareiras e bordaduras dos bosques, e talvez por isso em Portugal lhe sejam atribuídos perto de cinquenta nomes populares.

E quando se trata de um planta com tantas nomeações, não é de espantar que seja igualmente acompanhada por outras tantas superstições. Na Irlanda, por exemplo, onde é considerada pertença do Povo das Fadas, há quem tema a sua presença no quintal e mais ainda em casa. A foxglove, «luva de raposa», muitas vezes é chamada de folksglove, «luva do povo (das fadas)», trocadilho que exprime bem o temor e o fascínio que esta planta provoca.

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